Seculo

 

Nicotiana tabacum


08/11/2017 às 18:32
O cigarro tem uma história longa, que começa na América, mais exatamente no uso medicinal e cerimonial do tabaco por indígenas da América Central, fazendo parte de rituais religiosos e mágicos. Uso que era feito já por volta do ano 1.000 a.C., com a planta do tabaco que tem origem nas Américas, e que recebe o nome científico de “Nicotiana tabacum”, tendo como um de seus principais componentes a nicotina.
 
Na mesma época em que Cristóvão Colombo chega à América no século 15, vendo o hábito de fumar o tabaco enrolado que os indígenas faziam, veio o navegador Rodrigo de Xerxes, que experimentou o hábito indígena e resolveu levar folhas de tabaco para a Europa, local em que a folha foi usada já no século 16 sob a forma de charutos, e restrito aos mais ricos. Os pobres, por sua vez, mais exatamente os mendigos de Sevilha, na Espanha, deram origem ao cigarro, pois tiveram a ideia de picar os restos dos charutos que encontravam nas ruas e enrolar num papel o tabaco picado para então fumar. Surgia, portanto, o cigarro.
 
O cigarro só foi se tornar popular, no entanto, somente quando no fim do século 19, James Bonsack inventou a máquina de enrolar cigarros, o que popularizou o hábito de fumar cigarros, e hoje, depois de sua glamorização no cinema clássico pelo meio do século 20, temos agora a droga que mais mata no mundo, com seu agente viciante que é a nicotina, que libera dopamina e torna o cérebro da pessoa dependente, tendo irritabilidade na abstinência da droga, pois sua falta libera noradrenalina, sendo o hábito de fumar algo difícil de largar para algumas pessoas.
 
O tabagismo é considerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) a principal causa de morte evitável no mundo. E, além da nicotina, que causa a dependência, temos no cigarro a presença do alcatrão, agente cancerígeno, e do monóxido de carbono, que obstrui os vasos sanguíneos com a aterosclerose. Além do câncer, o cigarro causa envelhecimento precoce, pele seca, aparecimento de rugas e queda de cabelo. Sendo o tabagismo responsável por grande parte das mortes por câncer de boca, de pulmão, doenças cardíacas, podendo causar infarto, mortes por bronquite, enfisema pulmonar e por derrame cerebral, com o tabaco, para os homens, sendo o responsável por impotência sexual e infertilidade.
 
O ato de parar de fumar pode incluir adesivos ou chicletes de nicotina, auxílio psicológico, beber água, práticas esportivas, e remédios como a Bupropiona, que foi concebida como um medicamento para tratar a depressão, mas que se percebeu que também diminuía a vontade fumar, sendo atualmente receitado para quem quer parar de fumar e não consegue por outros meios, sendo que também temos a Vareniclina, medicamento este que foi concebido diretamente para o tratamento do tabagismo, que age no sistema nervoso central, pois diminui a síndrome de abstinência.  Temos também vias alternativas de tratamento da dependência do cigarro como são a acupuntura, e os remédios naturais, como os florais. Não é fácil, pois como disse uma vez Winston Churchill : “Parar de fumar é fácil. Já parei mais de vinte vezes.”.
 
Hoje temos o primeiro país que proibiu o consumo de cigarros no mundo, que foi o Butão, e políticas de cerceamento do consumo, sendo que aqui no Brasil já não temos mais veiculação de anúncios televisivos, rádio e jornais vendendo cigarros. E me lembro do Free, questão de bom senso, dos anúncios esportivos do Hollywood, e dos caubóis do Marlboro, mortos por doença pulmonar, e tínhamos também festivais musicais patrocinados ou com a marca de um cigarro, como eram o Free Jazz e o Hollywood Rock, que foram proibidos.
 
Temos também hoje as zonas proibidas do fumo, como locais comerciais fechados, aeroportos, aviões, sendo até um pouco bizarro quando me lembro da minha infância no fim dos anos 80, viajando de Transbrasil, cujas poltronas eram divididas entre fumantes e não-fumantes. As embalagens de cigarro no Brasil agora deixaram a mensagem simples “fumar faz mal à saúde” e partiram para fotografias no verso dos maços com imagens chocantes dos malefícios reais do cigarro, incluída aí a morte, imagens que também cobrem por todos os lados a publicidade que restou dos cigarros no Brasil. No entanto, se fuma muito ainda na Europa, em países como a França e a Itália, com índice alto na Grécia, também na Rússia, na América do Sul temos o Chile, e com taxas altas também na Indonésia, e com Kiribati batendo o teto do mundo.
 
Os cigarros de bali, por sua vez, representam um perigo maior do que o dos cigarros normais, e temos também fumantes de kretek, que são cigarros de cravo, com índice muito maior de casos de câncer, além dos cigarros de bali, tais como o Gudang Garam, vemos também por aí cigarros comuns com sabor, que vêm, por exemplo, com uma bolinha de menta como o Lucky Strike da embalagem preta, que é o chamado clickroll.
 
Na ala dos cigarros normais temos o chamado “mata-ratos” como o Derby vermelho e “mata-ratos” caros como o Camel, de filtros amarelo e bem fortes como o Marlboro vermelho, e cigarros mais light de filtro branco como o que eu fumava antes de parar que era o Hollywood azul.
Sendo que o viciado tenta parar com pastilhas, adesivos, negocia um varejinho na esquina com coca-cola como eu fazia, até que vi uns filmes do Bruce Lee e consegui largar o vício sem auxílio médico ou com adesivos e pastilhas, pois de nicorete já tinha gasto uma fortuna, com efeitos passageiros, para depois voltar ao mito de Sísifo de parar e voltar à estaca zero, sendo que agora estou há mais de 200 dias limpo.
 
Mas, não estranhem, não virei o “chato do cigarro”, isto é, aquele que quando vê alguém, sente o desejo irresistível de fazer a pergunta clássica: “Fumando? Você sabia que isso faz mal?” ou ainda tentam lhe dar uma ordem: “Larga isso!”, não, não virei o chato do cigarro, pois fumei e conheço estes gênios da raça, só achei o assunto tabagismo interessante para uma crônica, e independentemente de chatices óbvias que os fumantes enfrentam, tanto os que não tentam largar o vício como os que tentam, informação nunca é um luxo, e ter informação é fundamental, assim incluído os cuidados da saúde, pois o vício, fora os tratamentos todos, é uma daquelas coisas em que o sujeito tem que escapar sozinho, por si mesmo. E sem me esquecer: Obrigado, Bruce Lee.
 
Vídeo recomendado - Ratos de Porão – Direito de Fumar

 

Gustavo Bastos, filósofo e escritor
Blog : http://poesiaeconhecimento.blogspot.com

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