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Hortelãos em campanha para trazer água de volta à horta comunitária em Vitória


10/11/2017 às 19:08
Sem água nenhuma horta sobrevive, por isso, os voluntários que cuidam da Horta Comunitária Quintal da Cidade, na Cidade Alta, Centro de Vitória, estão mobilizados para que o fornecimento de água em uma torneira pública da Rua Rubens José Vervloet Gomes seja restabelecido.

O corte foi feito pela Companhia Espírito Santense de Saneamento (Cesan) no dia primeiro de novembro, após uma denúncia anônima, e ameaça a continuidade da iniciativa. "Estamos todos muito tristes porque o projeto dessa forma será inviabilizado. Contamos com o apoio de todos, para que essa situação seja revertida com a maior brevidade possível", contam os guardiães da Horta, em uma petição eletrônica de apoio à religação imediata da água.
Por sorte, desde a suspensão do fornecimento, o tempo chuvoso tem colaborado. Os cuidadores abriram suas torneiras pessoais, enquanto a situação não se resolve. Requerimentos e reuniões têm sido feitos com a Cesan e a Prefeitura de Vitória, mas até o momento nenhuma solução concreta.

Na pior das hipóteses, conta Duda Duda Bimbatto, uma das fundadoras da horta, os voluntários pedirão uma nova ligação e assumirão o pagamento da conta. “Mas acho isso um absurdo, deveríamos ter uma mínima contrapartida por cuidar de um espaço público”, defende. Independente de qual solução se apresentar, uma coisa é certa: “não vamos de forma alguma deixar morrer!”, garante. 
Os hortelãos planejam instalar um reservatório para captação de água de chuva, como um complemento ao fornecimento de água pela rede pública. “A gente sabe que não é suficiente, porque a horta ocupa uma rua inteira, mas vamos fazer”, conta Duda.
A ação, coletiva e autônoma – sem vínculo com qualquer instituição pública ou privada –, teve início em março de 2016 e tem crescido, fisicamente, culturalmente e afetivamente. O objetivo inicial era limpar a rua abandonada, escura e transformada em ponto viciado de lixo.
Dos primeiros tímidos e despretensiosos canteiros até hoje, uma grande evolução foi possível. “O nosso projeto é uma criança, nasceu há 18 meses, mas buscamos semear boas sementes e estamos colhendo os frutos da dedicação, união e muito afeto envolvido!”, poetizam, na página do projeto no Facebook

Os 50 metros de extensão da rua estão repletos de mais de 200 espécies de hortaliças, legumes e ervas medicinais, que atraem alunos de escolas públicas e particulares, para pesquisas escolares, líderes comunitários, para troca de experiências e saberes, e inúmeros voluntários e admiradores de uma iniciativa tão simples quanto revolucionária. Os eventos artísticos, periodicamente, fortalecem ainda mais o caráter educativo, cultural e terapêutico da horta.

A manutenção diária é garantida pelos vizinhos, que se revezam nas regas, podas, limpezas e outros cuidados. A colheita também é compartilhada e enriquecem o cardápio dos encontros e eventos.

A Quintal da Cidade colocou Vitória no mapa mundial das hortas urbanas e comunitárias e já obteve reconhecimento internacional em maio, após visita de uma missão da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), com representações de doze países da América Latina e Caribe, que a classificou como um exemplo de inovação em tecnologia social.

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