Seculo

 

PT capixaba não tem palanque majoritário para oferecer a Lula


04/12/2017 às 11:10
A chegada do ex-presidente Lula ao Estado nesta segunda-feira (4), terceira fase da caravana de pré-campanha do petista, deixa transparecer um problema que o partido tem para o processo eleitoral do próximo ano. Se na proporcional sobram quadros para a disputa, na majoritária o PT capixaba não tem um palanque para dar sustentação às suas lideranças nacionais. 
 
Durante todo o ano se falou na possibilidade de o partido vir a lançar o nome do deputado federal e ex-prefeito de Cariacica Helder Salomão ao governo, já que é uma liderança com boa aprovação como prefeito e que tem bom trânsito em todo o Estado. Mas isso significaria sacrificar um nome em condições de garantir uma cadeira na Câmara dos Deputados. 
 
Outro nome que poderia dar sustentação a Lula, caso o palanque do petista se viabilize, é o ex-prefeito João Coser. Ele poderia disputar uma eleição ao Senado para puxar o partido e se acomodar em um palanque aliado. Mas na planície desde 2012, quando deixou a prefeitura de Vitória, o atual presidente estadual do PT está focado em conseguir um mandato e por isso, aposta suas fichas na disputa a deputado federal. 
 
A situação é delicada, porque diferentemente de 2014, quando Dilma Rousseff disputou a reeleição à Presidência, o partido hoje não tem a máquina federal na mão e luta para reconquistar o poder. Por isso, a sustentação de seu palanque é importante em todos os Estados em que conseguir erguer candidaturas majoritárias. 
 
As lideranças nacionais tentam manter a candidatura de Lula, que apesar do alto índice de rejeição, ainda lidera os cenários eleitorais projetados até aqui, em um enfrentamento ao candidato de extrema direita, Jair Bolsonaro (PSC-RJ). Mas, o comandante do palanque pode ser trocado caso Lula não se viabilize.
 
Integrante do grupo do governador Paulo Hartung desde sua primeira disputa ao governo do Estado, em 2002, o PT atua como força auxiliar, sem se preocupar em fortalecer lideranças para chegar ao poder no Estado. Tanto que em 2014 lançou a candidatura ao governo do então deputado estadual Roberto Carlos. Considerada candidatura “laranja” por parte da classe política, Roberto Carlos, que hoje já deixou o PT, teve o pior desempenho em disputas a governo do País.
 
Em maio passado, o partido definiu em convenção a saída da base do governo, pelo fato de Paulo Hartung ser do PMDB, partido acusado de ter aplicado o golpe que depôs Dilma. Mas na prática, há dúvidas de como o partido irá se comportar no processo eleitoral. Aliado fiel de Hartung, Coser não dá sinais de que o PT irá buscar um caminho alternativo em 2018. 
 
Nacionalmente, a presidente do partido, Gleisi Hoffmann, chegou a conversar com lideranças do PSB, inclusive, Renato Casagrande. Mas também não há certezas se hoje o socialista vai mesmo disputar o governo e se isso garantiria um lugar para o PT em seu palanque, embora o ex-governador tenha boas relações com seu ex-vice-governador, Givaldo Vieira, que disputou o comando do PT com Coser em maio, mas saiu derrotado. 
 
Além disso, o PSB avalia ainda outras três possibilidades: aliança com a Rede, de Marina Silva; aliança com o PSDB, de Geraldo Alckmin ou, ainda, candidatura própria à presidência e para isso, aguarda um posicionamento do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa. 
 
Na proporcional, o PT tem um bom histórico de parceria com o PDT, que nacionalmente trabalha a candidatura de Ciro Gomes, que já foi aliado de primeira linha de Lula, mas hoje já não se afina com o PT. Se o partido não tem quadros para puxar uma candidatura majoritária, as lideranças do Estado, apesar do desgaste do partido, entendem que ainda há um capital de votos petistas que não pode ser desprezado. Neste sentido, o PT pode caber em alguns palanques, mas não para puxá-los.
 

Agenda da Caravana Lula no ES
Praça Costa Pereira - Centro de Vitória 
Horário 17h
Data: 04/12/2017 
 
Campus Ifes Cariacica (Av. Jose Sette s/n)
Horário: 10h
Data: 05/12/2017

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