Seculo

 

Governo insiste na tese de criminalizar associações pela paralisação da PM


04/12/2017 às 16:36
Na última sexta-feira (1) foi publicada a homologação do Dissídio Coletivo de Greve referente à paralisação da Polícia Militar no Estado, ocorrida de 4 a 25 de fevereiro deste ano, com a extinção da ação sem julgamento de mérito, por perda de objeto. No entanto, a tentativa de apontar culpados pela paralisação ainda perdura.
 
Neste domingo (3), o jornal A Gazeta trouxe reportagem sobre um inquérito conduzido pela 26ª Promotoria Cível de Vitória que associa dirigentes de associações classistas à paralisação, com base na intermediação da cessão de tendas que foram usadas por familiares para bloquear a saída do 7º Batalhão de Polícia Militar, em Cariacica.
 
No entanto, conforme a homologação da desistência da ação, as associações sustentam que não tiveram qualquer papel no movimento de familiares, tendo sido chamados para mediar o conflito a pedido do próprio governo.
 
O presidente da Associação de Cabos e Soldados do Estado (ACS/PMBM-ES), sargento Renato Martins Conceição, ressalta que a entidade não foi notificada sobre qualquer inquérito em tramitação. Segundo ele, o único fato que existe é o reconhecimento por parte do governo e do próprio Ministério Público do Estado (MPES) de que as associações tiveram papel diferente do exposto na reportagem de A Gazeta.
 
Ele acrescenta que os advogados da associação já foram acionados e vão ingressar com requerimento no MPES e nos órgãos competentes solicitando cópia do inquérito, já que não houve qualquer notificação.
 
O entendimento ao qual o sargento se refere é relacionado ao resultado das reuniões do Núcleo Permanente de Incentivo à Resolução de Conflitos (Nupa), composto por representantes do governo, Ministério Público Estadual (MPES) e associações. Todos esses atores se reuniram cinco vezes no Ministério Público do Estado e, na reunião do dia 11 de julho, foi acordado que o Estado e as associações deveriam requerer a extinção do da ação declaratória de ilegalidade da greve (0003281-72.2017.8.08.0000).
 
Em setembro, a ACS pediu ao TJES a extinção do feito e, em seguida, a Procuradoria Geral do Estado (PGE) se manifestou também pela extinção.
 
Todos os atores envolvidos no Nupa – MPES, governo através da PGE, Judiciário e associações classistas – concordaram com o peticionamento para extinção dos feitos tanto contra as associações, que tramitava no TJES, quanto contra familiares de policiais, por meio de uma Ação Civil Pública (ACP) que tramitava na 3ª Vara de Fazenda Pública Estadual de Vitória (0003307-95.2017.8.08.0024). As duas ações foram extintas por perda de objeto.
 
Durante a paralisação, as associações classistas reiteraram que não tinham qualquer envolvimento com o movimento e foram chamadas pelo próprio governo para mediar o conflito. Este fato ficou mais evidente, na época, pela animosidade que existiu entre os familiares, que não reconheciam as associações como representantes do movimento. O grupo de mulheres que esteve à frente do movimento chegou a insinuar durante as tratativas, que as associações estariam alinhadas com o governo, justamente por falta de envolvimento direto com o movimento.
 
Caça às bruxas
 
Na sessão ordinária da Assembleia Legislativa desta segunda-feira (4), o deputado estadual Sergio Majeski (PSDB) entrou na polêmica. Ele destacou que é descabida a ideia de colocar cerca de 10 mil policiais militares sob investigação. O parlamentar ponderou que a população do Estado esperava que a crise na segurança fosse uma página virada, mas ainda se insiste em buscar culpados para a situação.
 
Ele apontou que não está na Casa para defender os policiais, mas se há culpados por essa situação eles são o governador Paulo Hartung (PMDB) e o secretário de Estado de Segurança Pública, André Garcia, que não abriram diálogo com o movimento. Majeski também pontuou que o fato de investigar quase 10 mil policiais é mais uma tentativa de intimidar a tropa, tirando o foco e se isentando completamente da responsabilidade do que ocorreu em fevereiro.
 
Enquanto o governo insiste na “caça às bruxas”, o deputado lembrou, o Estado segue assistindo os índices de violência crescerem.

Leia Também

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem

.

SOCIOECONÔMICAS
Agência Senado
Cotações

Apesar de já ter anunciado apoio a Majeski, sobem as apostas de que Max Filho poderá, mesmo, é fixar lugar no palanque de Rose

OPINIÃO
Editorial
Quem paga a conta senta na cabeceira?
O financiamento pela Arcelor de uma pesquisa da Ufes de R$ 2 milhões acende o alerta sobre a autonomia universitária e a transparência nos acordos entre academia e capital privado
Piero Ruschi
Visita à coleção zoológica de Augusto Ruschi
Visitei a coleção zoológica criada por meu pai e seu túmulo na Estação Biológica. Por um lado, bom, por outro, angústia
JR Mignone
Uma análise
Algumas emissoras, aquelas que detêm alguma ou boa audiência, dedicam-se pouco à situação do país
Geraldo Hasse
Refém do Mercado
O País está preso ao neoliberalismo do tucano Pedro Parente, presidente da BR
Roberto Junquilho
A montagem da cena
Em baixa junto aos prefeitos da Grande Vitória, Hartung dispara para o interior do Estado
BLOGS
Mensagem na Garrafa

Wanda Sily

Arrogância também conta?
MAIS LIDAS

Candidatura de Lula à Presidência será lançada neste domingo em Vitória e Serra

Servidores do Ibama e ICMBio no Estado protestam contra loteamento político do órgão

Quem paga a conta senta na cabeceira?

Projeto da nova sede do IPAJM é 'reavaliado' por Instituto de Obras do Estado

A montagem da cena