Seculo

 

Promessas


30/12/2017 às 11:30
No modelo idêntico ao do governador Paulo Hartung, que promete abrir nada menos do que 10 mil novos postos de trabalho em 2018, o prefeito de Serra, Audífax Barcelos (Rede), toca a mesma tecla e também anuncia a abertura de mais de mil vagas em seu município, em 2018.
 
Mais comedidos, os prefeitos de Vila Velha, Max Filho (PSDB), e de Cariacica, Juninho (PPS), fizeram por menos, mas não deixaram de prometer concursos e abertura de vagas.
 
Luciano, o prefeito de Vitória, preferiu não se arriscar e permaneceu na inércia que o caracteriza como gestor. Repetiu o discurso vazio de tudo, justificado, no mercado político, pela falta de boas perspectivas eleitorais, que se resumem, no momento atual, em administrar sua sucessão. 
 
Em que pese a cautela de Luciano e a “ousadia” dos outros prefeitos, é verdade que os compromissos firmados de público demonstram que, para a classe política, o ano não acaba agora. 
 
As Cortes em recesso, magistrados com as togas penduradas, gabinetes fechados, a Assembleia Legislativa sem as modorrentas e inexplicáveis sessões solenes, aliviando um pouco o gasto público com inutilidades, as câmaras de vereadores fechadas...mas o ano não acabou. Para a classe política, 2017 emenda com 2018.

É o período em que denúncias adormecidas despertarão e as bases eleitorais devem estar azeitadas para suportar tanto peso. Agora é a hora de intensificar as ações de comunicação e marketing, a fim de construir ou firmar a imagem de eficiente gestor, amigo de toda hora, enfim, cair na boca do povo, no bom sentido, como agente público confiável.
 
Afinal, fora aqueles que disputarão cargos em 2018, há os apoiadores que são potenciais cabos eleitorais, como os prefeitos, que já estão pensando em 2020.
 
O momento é de aliados se ajudarem, ir para as ruas, visitar as bases, abandonar os gabinetes, usufruir da máquina pública, se comunicar com a massa eleitoral. Nesse vai-e-vem, não podem ser dispensados os “pacotes de bondades”,que muitas vezes não têm lastros firmes de serem formalizados.  
 
E as oportunidades de emprego, principalmente no momento atual, têm forte apelo eleitoral. Ainda mais agora, quando o Espírito Santo, como o Brasil inteiro, sofre como aumento de desemprego nos últimos anos, um dado real que os sofismas oficiais não conseguem esconder. Foram 282 mil registros de pessoas desempregadas no segundo trimestre de 2017, informa o Instituto Nacional de Geografia e Estatística (IBGE). O número é maior em 20% que o mesmo período do ano anterior, um aumento de 49 mil pessoas sem emprego.
 
O quadro é calamitoso e, mais do que ações de comunicação e marketing, merece uma ação decisiva de governos e da iniciativa privada. Assim, os anúncios de vagas de emprego são sempre bem-vindos. Só se espera que não caiam no vazio, como alguns exemplos recentes, entre eles o concurso para investigador da Polícia Civil, que, anunciado com estardalhaço e aplicado dentro do tempo previsto, levou mais de 10 anos para que as nomeações fossem formalizadas e, mesmo assim,  pela metade. 

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