Seculo

 

Volta aos trilhos


03/01/2018 às 17:36
Mal chegou ao cargo e a engenheira civil Lúcia Vilarinho, primeira mulher eleita presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Espírito Santo (Crea-ES), se deparou com uma guerra de ações judiciais por parte do seu principal adversário, o engenheiro agrônomo Geraldo Ferreguetti. Com objetivo principal de recuperar alguns votos impugnados que ainda possam levá-lo ao cargo e, de quebra, atormentar a nova gestora do Crea, impedindo-a de, enfim, iniciar as ações de seu mandato. 
 
A insistência do candidato derrotado evidencia, por outro lado, um amargo e viscoso ressentimento, depois de ser considerado o favorito do pleito, graças ao apoio do antigo presidente do Conselho, Helder Carnielli. Cenário que ruiu no decorrer do processo, após fatos lamentáveis denunciados à Comissão Eleitoral da Confederação de Engenharia e Agronomia (Confea), que acabaram resultando  na impugnação de sua candidatura, mais de dois meses antes da votação. Ele só participou do processo mediante uma liminar obtida, à época, na Justiça Federal em Brasília. 
 
Com a candidatura do seu afilhado político sub judice, o que se esperava de Carnielli é que levasse adiante as eleições com equilíbrio e isenção. Ledo engano. Novas denúncias surgiram ao final do processo eleitoral, quando candidatos de oposição descobriram fraudes em urnas e manipulação de listas de eleitores que impediram mais de 600 associados de votar. A essa altura, já eram evidentes os desgastes à imagem do Crea no Espírito Santo.
 
Dias após a votação e com a necessária intervenção do Conselho Federal, Lúcia Vilarinho emergiu desse quadro eleitoral tumultuado com a proposta de "modernizar a gestão do Crea, compartilhando decisões com profissionais, entidades, empresas e instituições de ensino, além de implantar mecanismos objetivos de transparência", como ressaltou durante sua campanha. De fato, é urgente ultrapassar as barreiras que há anos vinham levando o Crea à estagnação, transformando-o muitas vezes num cabide de empregos e convertendo-o numa máquina eleitoral a serviço de outros interesses que não os de seus associados.
 
Como órgão fiscalizador, o Crea tem uma missão importante para o Estado, zelando pela proteção dos interesses da sociedade. Compete-lhe evitar ou prevenir prejuízos que possam ocorrer por causa de trabalhos de profissionais, habilitados ou não. 
 
A ação do Conselho pode ser tão efetiva quanto a que resultou na recente descoberta dos riscos que representam para a população a obsolescência das estruturas da Rodoviária de Vitória e pontes da Grande Vitória. O lado negativo tem a ver com o afrouxamento na fiscalização de obras que acabam resultando em danos, feridos ou mortos. É o caso, por exemplo, do desabamento da área de lazer do condomínio de luxo Grand Parc Residencial Resort, na Enseada do Suá, em Vitória, ocorrido em julho do ano passado.
 
O Crea-ES precisa o quanto antes superar a crise pós-eleitoral que o acomete, retornar aos trilhos, e cumprir com eficiência seu papel. Insistir nessa guerra é um tiro no próprio pé.

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