Seculo

 

Quem irá à batalha?


03/01/2018 às 21:33
A pesada sombra que encobre o cenário político brasileiro atinge, também, o Espírito Santo, de forma intensa. Tanto é assim, que a 10 meses da eleição, ainda não existem candidaturas definidas, por conta do quadro de corrupção em que os partidos estão envolvidos em nível nacional.
 
Há um clima de salve-se-quem-puder, por conta do vai-e-vem de delações premiadas e de investigações policiais, que devem perder a intensidade depois do julgamento do ex-presidente  Lula, no próximo dia 24. 
 
Aí, então, os arranjos serão formalizados e o prazo para registro de candidaturas e início da pré-campanha poderão ser cumpridos.
 
Nos estados, o clima não é muito diferente. Muitos temem a degola prematura, acionada por um eleitorado com maior acesso aos meios de comunicação, e, por isso, caminham pisando em ovos. 
 
Usam, sem meias palavras, o marketing de engodo. Exceções existem, como em toda regra, mas em número bastante reduzido, vale ressaltar.  
 
Por tudo isso, ainda é cedo para relacionar quem vai mesmo à disputa pelo governo do Estado. A lista de nomes é enorme e inclui desde o governador Paulo Hartung (PMDB, até quando?), o ex-governador Renato Casagrande (PSB), a senadora Rose de Freitas (PMDB), o vice-governador, César Colnago (PSDB), e vários outros fora dessa lista de pesos-pesados.
 
O governador Paulo Hartung continua apostando no já conhecido suspense. Diz que vai, não sabe ainda, se lança no cenário nacional, e declara estar preparado para ser presidente da República. Defende programas alinhados à direita, mas diz ser de “centro-esquerda”.
 
Nos últimos dias, para fortalecer seus movimentos no interior, ele vem buscando uma reaproximação com o deputado federal Marcos Vicente (PP), que divide com a senadora Rose de Freitas os melhores canais para a liberação de recursos aos municípios capixabas, via emenda parlamentar, contabilizando prestígio que não acaba mais.
 
Tarefa difícil, porque as investidas do governador sempre esbarram nos vários cargos que o deputado mantém na administração de Luciano Rezende (PPS),  prefeito de Vitória, inclusive na supersecretaria do vereador Fabrício Gandini (PPS).
 
O deputado faz que não escuta os acenos e continua suas andanças quase sempre acompanhado, em seu reduto eleitoral, do ex-prefeito do município Luiz Carlos Cacá Gonçalves, o Cacá, com uma lista de problemas na Justiça, inclusive, condenação pelo Tribunal de Cotas do Estado a devolver R$ 6,3 milhões aos cofres públicos, na conhecida Operação Derrama. 
 
O objetivo do governador é enfraquecer ainda mais o ex-governador Renato Casagrande, aliado de Luciano Rezende, a fim de deixá-lo isolado de vez, e, também, minar o terreno da senadora Rose de Freitas, abrindo espaço para Colnago, seu vice, que pode ser o escalado para ir ao campo de batalha em outubro. 
 
Isso pode ocorrer se Hartung formalizar sua participação, de fato, na corrente direitista que se prepara para entrar na batalha pelo comando do Brasil. Tarefa complicada, pois esse grupo também bate cabeça sem encontrar um nome para harmonizar seus descaminhos. Enquanto isso, a sombra continua com a tendência de se espalhar. 

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