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Governo Hartung utilizou base de dados inapropriada para mostrar que economizou mais em três anos de mandato


04/01/2018 às 15:34
O economista Vinícius Pereira, do Departamento de Economia da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), contestou a forma utilizada pelo governo do Estado para mostrar uma economia de R$ 1,1 bilhão no período de 2014 a 2017, o que justificaria o dinheiro em caixa para o anúncio de investimentos para este ano.
“A metodologia mais objetiva para se chegar ao valor de reduções [no caso, economias] com gastos é observando quanto, em um exercício, as despesas ficaram abaixo do observado no exercício anterior”, informa o economista.
Além disso, pondera Vinícius Pereira, “muito deve ser questionado sobre o significado e a repercussão social dessas reduções de gastos públicos”. Afinal, afirma, “o sucateamento de mecanismos de ação pública podem resultar em um cenário social bastante perverso, a depender da forma e dos critérios adotados para realizar tais ‘economias”.
Vinícius Pereira fez um cálculo com base nos números da primeira linha da tabela apresentada pelo governo: 
“Assim, na primeira linha, teríamos uma ‘economia’ [redução dos gastos] real da ordem de R$ 119,9 milhões, ou seja, R$ 90,7 milhões de 2014 para 2015, R$ 31,5 milhões de 2015 para 2016, e de -2,3 milhões, pois houve um pequeno aumento dos gastos, de 2016 para 2017”.
Pela tabela elaborada pelo governo, os dados são: R$ 175,4 (2014), R$ 84,7 (2015),  R$ 53,2 ( 2016) e R$ 68,4 (2017), totalizando R$ 332,8 milhões, que representa uma diferença, para mais, de R$ 212,9 milhões, cerca de 36% do valor encontrado na fórmula mais objetiva e com os dados reais.
 
 
Para ele, a escolha de uma base fixa, 2014, para efeitos de comparação, uma vez que se refere ao período do mandato do governador, não é incorreto, apenas mais positivo do que de outra forma. 
No entanto, ele afirma que “a forma escolhida para apresentação dos dados, mais oportuna e conveniente para o ente público, apresenta uma base hipotética de 2014 e, supondo que os gastos continuassem naquele nível, as economias seriam no montante apresentado”.
E acrescenta: “ Não podemos dizer se é certo ou errado, pois, em termos de dados estatísticos, podemos fazer quase tudo que desejarmos, não é mesmo?”.
O economista esclarece que para uma apresentação de valores reais e esforços reais de redução de gastos, a forma escolhida, ainda que o valor fosse resultar em uma cifra menor, deveria ser a de base móvel, comparando com o exercício imediatamente anterior.

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