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Fundema apoia estudo sobre mortalidade relacionada à poluição do ar


04/01/2018 às 19:39
Qual a relação entre a mortalidade de crianças e idosos e a sua exposição, a longo prazo, ao dióxido de enxofre e material particulado (pó preto)? Esse é o objetivo do projeto proposto pela Juntos SOS ES Ambiental e que será financiado pelo Fundo Estadual de Meio Ambiente (Fundema).

A decisão foi tomada na reunião de 20 de dezembro do Conselho Gestor do Fundo e publicada no Diário Oficial desta quinta-feira (4). O valor a ser destinado ao estudo é de R$ 290 mil, com previsão de duração de três anos e três meses.

A Juntos argumenta que toda a sociedade civil irá se beneficiar das informações geradas, pois conhecerá a realidade local e será capaz de demandar o controle destes poluentes, por meio de agências reguladoras. E a comunidade científica, em especial, terá um importante incentivo para trabalhar o tema de forma interdisciplinar, com possibilidade de fixação de mão de obra especializada em solo capixaba.

Os dois poluentes a serem estudados, dióxido de enxofre e material particulado, são citados, no último relatório sobre qualidade do ar disponibilizado pelo Instituto Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema), ainda de 2013, como os que têm apresentado valores acima do que é estabelecido como seguro pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e acima dos próprios padrões vigentes no Estado.

No projeto, a Juntos argumenta que a literatura científica já dispõe de várias ferramentas para estimar a mortalidade de idosos e crianças devido aos poluentes atmosféricos, porém, poucos são os grupos de pesquisa no Estado que trabalham no assunto.

Ainda citando informações constantes no relatório do Iema, a entidade destaca dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) publicados em 2014, referentes ao ano de 2012, dando conta do registro de cerca de 3,7 milhões de mortes associadas à poluição do ar em ambientes externos, devido a isquemia cardíaca (40%), enfarte (40%), obstruções pulmonares crônicas (11%), câncer de pulmão (6%), infecções respiratórias em crianças (3%), e, associadas à poluição do ar em ambientes internos, foram registrados 4,3 milhões de mortes por enfarte (34%), isquemia cardíaca (26%), obstruções pulmonares crônicas (22%), infecções respiratórias em crianças (12%) e câncer de pulmão (6%).

A Juntos=-SOS sugere que “exista a possibilidade de pesquisador recém-doutor, sob orientação de um pesquisador ou grupo de pesquisa já estabelecido no tema ou em área correlata, possa dedicar tempo integral na coleta de dados da literatura, dados de saúde e de qualidade do ar existentes na região para, por meio do uso de ferramentas acreditadas internacionalmente, prover informações científicas relevantes e integrar pesquisadores de diversas áreas do conhecimento, além de despertar a sociedade civil para os resultados a serem encontrados”.

A notícia da aprovação do Fundema ao projeto sai no dia em que a ong protocola mais uma denúncia contra a escandalosa poluição por pó preto na região metropolitana, exibindo fotos com “pedidos de socorro” feitas na Ilha do Boi, lugar mais afetado, junto da Ilha do Frade, pelo famigerado pó brilhante e pegajoso “cuspido” pela Vale e ArcelorMittal Tubarão.

“Chega de tolerância com empresas que mentem descaradamente para os órgão públicos, desrespeitam o cidadão capixaba, tirando saúde e qualidade de vida, gerando consumo de água tratada para limpeza, gastos com produtos de limpeza, medicamentos e etc”, reclama a entidade.

Outros projetos de pesquisa relacionando poluição do ar e problemas de saúde, em parceria com a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), ainda aguardam financiamento. “Nossa esperança está em pequenos projetos, que recebam verba do Fundema ou de alguma emenda parlamentar”, conta o presidente da Juntos- SOS, Eraylton Moreschi Junior. 

 

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