Seculo

 

Indiferença


05/01/2018 às 09:35
Uma greve de ônibus que há onze dias causa transtornos à população da Grande Vitória segue sem perspectivas de solução, com motoristas exigindo aumento de 5% e patrões oferecendo não mais que 1,83%. A Justiça do Trabalho cumpriu rigorosamente seu  papel, buscando - ainda que sem êxito - uma atitude conciliatória de ambas as partes e, frente ao impasse, impondo aos grevistas a obrigação de manter um percentual pelo menos razoável de circulação de ônibus nos horários de pico e fora deles.
 
E enquanto a população padece nos pontos de ônibus, sujeitando-se a um calor desumano durante o dia e vivenciando as inseguranças das noites pouco policiadas, refestelam-se em seus gabinetes refrigerados, ou em aprazível descanso remunerado pelo recesso parlamentar, aqueles que deveriam também participar das discussões sobre o grave problema: ou seja, os burocratas da Secretaria Estadual dos Transportes e Obras Públicas (Setop) e o cinco deputados que compõem importante comissão da Assembleia Legislativa, a de Infraestrutura, Desenvolvimento Urbano e Regional, Mobilidade Urbana e Logística.
 
Governo do Estado e Assembleia se ausentam não para evitar o desgaste talvez inevitável de suas imagens num debate que afeta os interesses de 17 milhões de pessoas transportadas mensalmente dentro dos sete municípios da área metropolitana da Grande Vitória.
 
Permanecendo insensíveis ao clamor da população mal atendida desde sempre pelo transporte coletivo, burocratas e deputados assumem atitude incompatível com o caráter eminentemente público e urgente de uma questão que por óbvias razões deveria ser objeto de suas preocupações. Em última análise, não têm o que dizer, porque nunca se esforçaram para dar melhores condições de transporte aos usuários. 
 
Greves ocasionais não são os únicos problemas. O transporte coletivo na área metropolitana tem outras facetas das quais o poder público mantém distância, para júbilo das empresas concessionárias desse serviço público, que não são advertidas nem instadas a cumprir seus contratos. Como todos sabem, linhas são remanejadas em prejuízo dos usuários, horários de ônibus não são cumpridos, e a superlotação em horários de picos causa extremo desconforto aos passageiros. 
 
Num ano eleitoral, a indiferença do governo do Estado e da Assembleia a essa greve que tem causado tanto transtornos, pode ter um custo alto. Ou, pelo menos, deveria. É o que veremos.

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