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Polícia Civil lança manifesto contra desmantelamento da segurança pública


09/01/2018 às 15:34
“É fingir que trabalha, porque não tem condições”, protesta Jorge Emílio Leal, presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Espírito Santo (Sindipol/ES), ao denunciar a ausência de investimentos do governo estadual na Segurança Pública.

A categoria lançou, nesta segunda-feira (8), um “Manifesto Contra o Desmantelamento da Polícia Civil do ES”, para prestar sua indignação contra a forma como a segurança pública está sendo tratada em nosso país, principalmente em nosso Estado, no atual governo".

Entre os dados elencados no Manifesto, destacam-se a defasagem do efetivo policial nos últimos 21 anos: a população hoje (4 milhões de habitantes) é 30% maior que em 1986 (3 milhões), porém, o número de policiais equivale a 57%, pois eram 3.840 e hoje são 2.200.

O pequeno efetivo ainda é submetido a salários infames, sem sequer reajuste de inflação há mais de três anos, e a uma infraestrutura decadente, com material de trabalho insuficiente, veículos velhos, controle excessivo de combustível, instalações físicas que oferecem risco, delegacias sendo fechadas e obras inacabadas há quatro anos.

Como resultados, inquéritos parados nas delegacias, policiais desmotivados, e a explosão da criminalidade. Uma crise que afeta toda a população, de todas as faixas etárias e níveis de renda.

“Esse Governo não tem visão política de Estado, tem visão somente de Governo, e não resolve as questões pra sociedade”, reclama o presidente sindical.

O manifesto ressalta que “os mais prejudicados, nesse contexto, são os pobres, negros, jovens, mulheres, em geral as minorias, como se constatam nas estatísticas recorrentes, face às complicações decorrentes de um Estado inseguro e violento, que abandona os seus cidadãos jogados à própria sorte e em condições precárias, com risco elevado de comprometimento de seu bem-estar social”.

O Sindipol/ES está articulando mobilização com outros sindicatos de servidores públicos, especialmente na Saúde e Educação, que também vêm sofrendo com fechamento de escolas e hospitais e precarização das condições de trabalho.

Todavia, ressalva o Sindicato, diferentemente das áreas de Saúde e Educação, “em que os recursos privados suprem a ausência de política pública estruturante, a segurança pública, quando ineficaz, afeta todos, mesmo aqueles agraciados com uma renda que lhes garantam uma vida digna”.

O documento frisa ainda que não se pode “caminhar na contramão da evolução da sociedade, como se vê no ES”. Países com regimes democráticos mais desenvolvidos, contextualiza, “programam legislações e investimentos na área com objetivo de preservar a dignidade da pessoa humana”. “Ser contra o desmantelamento das polícias é reconhecer o direito à segurança, à justiça e à vida, a fim de evitar o sofrimento e a morte violenta de milhões de pessoas neste país”, afirmam.

Para ler o Manifesto na íntegra, acesse o site do Sindipol/ES

 

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