Seculo

 

Maia, PH e o 'Centrão'


10/01/2018 às 11:43
Um dos visitantes mais assíduos do Espírito Santo, o presidente da Câmara Federal, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), desembarca mais uma vez em Vitória para o seu quarto encontro com o governador Paulo Hartung em menos de seis meses, em busca de fortalecer sua candidatura à Presidência da República. 
 
O DEM trabalha para lançá-lo como candidato na próxima reunião do partido, dia 5 de fevereiro. E PH exerce um papel de destaque na aglutinação de forças não só no Espírito Santo, onde tem um controle invejável do partido, mas, também, como protagonista em nível nacional.
 
A leitura no mercado político ligado à ala mais conservadora é que Maia tem capacidade de “reunificar” a política nacional, por ser hoje um dos poucos com trânsito no governo e nos principais partidos da oposição. É o discurso do antigo "Centrão”, do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). 
 
Não se pode negar que o presidente da Câmara Federal transita bem entre o PT, PCdoB e PDT, que o ajudaram a se eleger para o comando da Casa, além de manter boa relação com o Judiciário.
 
Rodrigo Maia se lança, mas, cauteloso, afirma que o partido tem outros nomes para a disputa, e pontua: o senador Ronaldo Caiado (GO), o prefeito de Salvador, ACM Neto, e o ministro da Educação, Mendonça Filho (PE), que o acompanha nesta quarta visita ao Estado.
 
Ao seu lado na disputa pela pré-candidatura, para ver quem chega primeiro, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles (PSD). Ambos brigam pela paternidade da reforma da Previdência, segundo eles, a salvação do Brasil, e que pode ser uma das fortes plataformas de campanha. 
 
A aproximação com PH é de longa data e deve ser vista não apenas como simples consultoria, mas sim como algo mais amplo. Quando Maia esteve no Estado em setembro de 2017, disse que o principal foco de suas conversas com o Paulo Hartung se fixa em organizar a política nacional a partir de uma posição de centro. 
 
Exatamente o tom das falas de PH, que transita de um lado para outro da política nacional em busca de um ancoradouro seguro e destacado. Ele tem externado o mesmo discurso de centro-esquerda, sofisma utilizado para nominar o conservadorismo político mais intenso.
 
Esse movimento substitui o “Centrão” do ex-deputado Eduardo Cunha, órfão de comando desde a prisão dele. Estão nesse bolo partidos grandes e médios, entre eles PP, PR, PSD, PRB e PTB. 
 
Nesse cenário, Maia se fortalece para afastar Mirelles e o governador paulista, Geraldo Alckmin (PSDB), pontificando-se como o candidato mais representativo do grupo que está no comando, sem muitas restrições quanto à improbidade, da mesma forma que Hartung.
 
Seria uma forma de apresentar o velho com cara de novidade. 

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