Seculo

 

'Santo graal de Augusto Ruschi'


10/01/2018 às 11:55
O “Santo Graal de Augusto Ruschi” consiste na fórmula eficaz para se conservar o meio ambiente, que fora utilizada pelo cientista ao longo de uma vida inteira dedicada à natureza.
 
Um de seus ingredientes mais basais é a Seriedade. Há quem diga que ela possa ser um fator geneticamente determinado. O fato é que os seres humanos se deparam com a seriedade desde a infância, e não é exagero dizer que não haja nada mais sério para uma criança que sua brincadeira favorita. No caso de “Gutti” (apelido que A. Ruschi recebeu dos familiares quando criança), a brincadeira favorita era “natureza”. Seu interesse começou cedo. Com apenas seis anos, Gutti não hesitava em se embrenhar pela mata da chácara de seus pais, mesmo sabendo que seria castigado quando retornasse para casa. Sua mesa escolar abrigava um formigueiro inteiro que era cuidadosamente abastecido durante as aulas. 
 
Há um ditado que diz: “o homem é mais próximo de si próprio quando alcança a seriedade de uma criança a brincar”.
 
Deveras, ao longo de toda sua vida, A. Ruschi manteve o foco na natureza, e nada lhe foi mais sério. Ela foi notavelmente o aspecto mais intenso de sua vida, aprofundado a cada oportunidade. Buscar e direcionar seu conhecimento ao meio ambiente foi um esforço intensamente praticado pelo cientista. Do hábito de colecionar plantas e animais ao desenvolvimento de coleções; da agronomia à agroecologia; de sua experiência como agrimensor à formulação de áreas prioritárias para conservação do patrimônio genético natural; do direito à legislação ambiental. A. Ruschi tratou o meio ambiente com a importância que ele merece, e alcançou resultados expressivos inimagináveis em cenários completamente desfavoráveis durante uma época de ambientalismo incipiente. 
 
Atualmente vivenciamos um cenário muito distinto do tempo de A. Ruschi, repleto de recursos legais e tecnologias que possibilitam o crescimento socioeconômico sem comprometer os recursos naturais. Ainda assim, o cenário ambiental se mantém tão desfavorável quanto nos tempos do Patrono, sobretudo, no que se refere ao descumprimento de legislações ambientais e à negligência com a destinação de resíduos. Uma retrospectiva detalhada da questão em nosso Estado pode ser encontrada na retrospectiva de Fernanda Couzemenco “Vitórias e derrotas ambientais que marcaram 2017”, publicada no jornal Século Diário. 
 
Os problemas ambientais também se metamorfosearam com o virar do século. Somos uma geração que acompanha há décadas tentativas de realizar pequenas correções ambientais, mas falhamos sucessivamente.
 
Aqui em Santa Teresa, por exemplo, chega a ser cansativo testemunhar um esforço midiático de auto rotulagem “ecológico” em paralelo à falta de seriedade nos esforços para despoluir cerca de 10km do rio que passa dentro da cidade. E quanto o extinto Museu Mello Leitão e sua Associação de Amigos (Sambio) faz questão de descumprir seu próprio estatuto, desrespeitar os sócios e empunhar a própria espada contra a instituição que deveria defender, e ainda por cima, tem a insolência de atribuir essa covardia ao próprio fundador do Museu que deveria defender – sem dúvidas, esse é o fastígio da falta de seriedade com o cientista! 
 
É justamente diante de atrocidades como essas, contra o legado do cientista, seu museu e a natureza que defendeu, que devemos aplicar seus ensinamentos, o seu graal. 
 
O método de A. Ruschi se mostra cada dia mais necessário.
 
A todos um 2018 repleto de seriedade!

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