Seculo

 

Provações de Lúcia


10/01/2018 às 16:49
O tumultuado desenrolar da campanha eleitoral para escolher o novo presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado (Crea-Es), iniciado desde o momento em que o antigo presidente, Helder Carnielli, moveu céus e terras para eleger o engenheiro agrônomo Geraldo Ferreguetti, chegou a um impasse jurídico que praticamente paralisou a entidade. Uma guerra de liminares entre dois dos principais candidatos mantém em suspenso o destino imediato de uma entidade que reúne as melhores cabeças pensantes na área tecnológica capixaba.
 
De um lado, Ferreguetti, desatinado pela derrota numa eleição em que era considerado favorito, tentando retirar da presidência a engenheira civil Lúcia Vilarinho, primeira mulher eleita para o cargo ao longo dos 57 anos de existência do Crea. Do outro, uma tensa mas persistente Lúcia, pressionada por decisão judicial provocada por Ferreguetti para apeá-la do poder, procurando sobreviver ao imbróglio jurídico. E, correndo por fora, um grupo de candidatos que se sentiram prejudicados pelos métodos nem um pouco ortodoxos utilizados na eleição pelo matreiro Carnielli, aguarda uma decisão favorável da Comissão Eleitoral do Conselho Federal de Engenharia e Arquitetura (Confea) à anulação da eleição e convocação de outra que se pretende imune a fraudes.
 
Lúcia, para todos os efeitos, teve cassada a homologação de sua vitória pelo Confea, por decisão da Justiça Federal de Brasília. Uma decisão que deve ser cumprida automaticamente, o que implica na ascensão imediata ao cargo do primeiro vice-presidente do Crea, Fred Rosalém, que também disputou a eleição. Mas ela se apega a um argumento aparentemente inconsistente: venceu nas urnas, ganhou uma liminar da Justiça Federal de Vitória para assumir o cargo, e foi empossada pela plenária dos conselheiros do Crea-ES.
 
De qualquer modo, o futuro dela depende de uma decisão da Comissão Federal do Confea. Como o próprio Ferregueti já reconheceu, se a Comissão não acolher o recurso que apresentou contra a impugnação de uma urna que lhe daria  votos suficientes para conquistar a vitória, "Lúcia será a presidente". Ainda que supere esse obstáculo, ou seja, supondo que o recurso de Ferregueti seja descartado, abrindo caminho para sua presidência, Lúcia ainda tem em seu horizonte outra batalha. 
 
Quatro candidatos requereram a anulação das eleições, acusando Carnielli de fraudes e manipulação de listas de eleitores em benefício do seu candidato Ferreguetti. A Comissão Federal tem 90 dias para concluir, muito provavelmente com a ajuda da Polícia Federal, as investigações sobre as denúncias. Caso sejam comprovadas, a convocação de novas eleições representaria uma nova oportunidade para Lúcia, depois de todas as provações a que vem sendo submetida, demonstrar, de novo, que é boa de voto.

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