Seculo

 

O PT e as relações perigosas


23/01/2018 às 22:45
As mágoas persistem, mas o desejo de ir embora aos poucos começa a desaparecer, como resultado de um olhar mais ampliado da cena política. É assim que fontes destacadas no mercado político enxergam a rearrumação do Partido dos Trabalhadores depois do julgamento do ex-presidente Lula, nesta quarta-feira, qualquer seja o resultado. 
 
As rusgas são decorrentes da atuação do ex-prefeito de Vitória João Coser, que conseguiu no tapetão a vitória sobre o deputado federal Givaldo Vieira na eleição para a Presidência do diretório estadual, em 2017. 
 
Givaldo liderava a ala que defendia o desembarque do governo Paulo Hartung, no qual Coser ocupou uma secretaria. Coser deixou o governo, mas como uma manobra ganhou a Presidência do partido. 
 
A saída de Givaldo, tida como certa até bem pouco tempo, hoje já é vista por alguns como questão superada, levando em conta o cenário político nacional por conta do posicionamento do partido relacionado ao ex-presidente Lula.
 
Condenado ou absolvido, Lula é candidato à Presidência da República, segundo anunciaram os dirigentes petistas em nível nacional. Para garantir o crescimento da candidatura, é imprescindível a construção de palanques em todos os estados e o Espírito Santo não pode ficar de fora. 
 
Ainda mais, como afirmam os petistas, com o sucesso alcançado no Estado pela caravana de Lula, em 2017. A partir desse fato, o partido tomou um novo ânimo, fortalecendo a possibilidade de escolha de um nome para a disputa majoritária, no caso, o Senado.
 
O assunto é “tratado à boca pequena”, mas o nome com maiores chances que surgiu, e não poderia ser de outro modo, foi o do deputado federal  Helder Salomão, ex-prefeito de Cariacica e dono de invejável densidade eleitoral. 
 
Deve pesar na aceitação dessa acomodação, no entanto, fato de que a reeleição de Helder para a Câmara Federal é vista como favas contadas. Mas as conversas estão adiantadas.
 
Caso essa previsão se confirme, Givaldo seria beneficiado com a migração de votos do companheiro de partido e poderia ainda contar com o crescimento natural do PT como resultado do andamento do processo contra o ex-presidente Lula, que vem funcionando como elemento propulsor de popularidade, em todo o país. 
 
Givaldo, por sua vez,mantém conversa com lideranças de outros partidos, em especial do PSB, como o ex-governador Renato Casagrande. No entanto, a indefinição de Casagrande para qual cargo irá disputar, se ao governo ou ao Senado, e alianças em nível nacional que esse partido deverá assumir, colocam a saída de Givaldo em compasso de espera. 
 
Isso porque, ele tem que evitar relações perigosas e ideologicamente desaconselháveis, que poderiam contribuir para manchar sua marca na política, como liderança comprometida com as conquistas sociais e movimentos da classe trabalhadora. Juntar-se à elite que depôs a presidente Dilma Rousseff, a essa altura, pode ser caminho sem volta. 

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