Seculo

 

Lava Toga Já


02/02/2018 às 15:32
Pegou mal nos meios jurídicos a defesa que o desembargador Gebran Neto fez do juiz Sergio Moro e da Operação Lava Jato no final da sentença em que condenou o ex-presidente Lula a 12 anos de prisão.
 
Pegou mal o jogo de cena da ministra Carmen Lúcia em defesa do Judiciário no dia 1/2/2018, findas as longas férias do Judiciário.
 
Pega muitíssimo mal a generalização do auxílio-moradia a todos os juízes e não apenas aos que moram temporariamente num domicílio transitório.
 
Pega muito mal o esforço do ministro Ives Gandra Martins em destruir a Justiça do Trabalho.
 
Há muitas formas de corporativismo na administração pública brasileira, mas nenhuma supera a do Judiciário, cuja arrogância parece originar-se da trinca de prerrogativas constitucionais dos magistrados: a vitaliciedade, a inamovibilidade e a irredutibilidade dos salários.
 
O corporativismo de membros do Judiciário é uma das doenças a minar a saúde da frágil democracia brasileira. Não é por acaso que a opinião pública começa a manifestar inconformismo e revolta diante dos privilégios do Judiciário, segmento que encabeça, atualmente, a lista de maiores iniquidades brasileiras, a saber:
 
- o nepotismo vigente em muitos tribunais
 
- a ineficácia dos Tribunais de Contas, que só operam a posteriori e se mostram incapazes de fiscalizar e/ou auditar as licitações de obras públicas -- antes que as falcatruas sejam colocadas em andamento
 
- o faz-de-conta do Conselho Nacional de Justiça, que não pune ninguém
 
- a falência moral e material do sistema penitenciário brasileiro – escola de crime patrocinada pela Dama de Olhos Vendados
 
- a covardia de servidores públicos que abusam da estabilidade funcional para prestar maus serviços, maltratar cidadãos e humilhar os pobres    
 
- as pensões para as filhas solteiras de militares falecidos
 
- a empáfia de muitos detentores de mandatos populares, que se valem da ignorância da maioria dos cidadãos para se perpetuar no Poder
 
- o foro privilegiado dos políticos corruptos
 
- a desigualdade de rendas, salários e tributos
 
- a venalidade da maior parte da Mídia, que se sujeita docilmente aos ditames do Mercado, esquecida de zelar pelo Interesse Público
 
- o racismo  
 
Egos inflados, superegos inflamados: quem vai cutucar a casa dos marimbondos togados?
 
LEMBRETE DE OCASIÃO
 
No dia 9 de dezembro de 2008, a cúpula do Tribunal de Justiça do Estado do Espírito Santo foi alvo da Operação Naufrágio, executada por uma força-tarefa do MPF e da PF. Acusados de venda de sentenças e nepotismo, foram presos e levados para depor em Brasília três desembargadores, dois advogados e uma funcionária do TJE-ES. Era relatora do processo a ministra Laurita Vaz. A história dessa operação exemplar no começo e lamentável no final está contada nas 216 páginas do livro de "Um Novo Espírito Santo: ONDE A CORRUPÇÃO VESTE TOGA", de Rogério Medeiros e Stenka do Amaral Calado, editado em 2010 pela Capital Cultural, do Rio de Janeiro.

Leia Também

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem

.

Crônica de uma eleição

Vagões do trem do governador Paulo Hartung estão acima da capacidade da locomotiva. Haja peso para carregar...

OPINIÃO
Editorial
Futuro interrompido
Onde estão os promotores, delegados, políticos e demais agentes públicos para berrarem em defesa da infância? Mortes no Heimaba são alarmantes e inadmissíveis!
JR Mignone
Nova rádio
Tudo modificado, tudo moderno na Rádio Globo
Roberto Junquilho
Para onde ir?
A crítica vazia e sem fundamento à classe política coloca em risco a democracia
BLOGS
Mensagem na Garrafa

Wanda Sily

Arrogância também conta?
MAIS LIDAS

Flic-ES: 'As livrarias não vendem obras capixabas'

'Pensar a educação como a preparação do corpo para sentir, aprender e sonhar'

Vitória já poderia ter identificado as fontes de emissão de pó preto

Webdoc Corpo Flor reflete sobre negritude e sexualidade