Seculo

 

Cineclube, horta e estamparia nas ocupações capixabas


14/02/2018 às 10:25
Se 2017 foi um ano de muito movimento e ocupações de espaços ociosos no Centro de Vitória para reivindicar políticas de moradias, o novo ano nasce na busca de ações inovadoras para gerar capacidade de sustentação para o movimento e famílias sem-teto, além da ampliação do debate sobre o tema urbano.
 
“As ocupações servem para suprir a demanda por habitação das famílias diante da omissão do poder público. Porém, é importante saber que as pessoas se encontram em déficit de moradia porque estão em situação de desemprego e subemprego, não conseguindo arcar com os custos de aluguel”, explica Lucas Martins, integrante do coletivo Resistência Urbana Capixaba, formado pela unificação de pessoas e movimentos envolvidos nas ocupações e na luta por uma cidade mais democrática. O grupo conseguiu acesso a recursos por meio de editais a nível estadual e local para desenvolver novos projetos.
 
O primeiro deles é a construção de uma estamparia, que está em fase de capacitações para que as famílias possam gerir a confecção de camisetas, bolsas e outros acessórios. Segundo Lucas, a ideia é trabalhar com um formato de uma cooperativa, com decisões democráticas e compartilhadas, e iniciar a venda sob demanda para organizações sindicatos, associações comunitárias, esportivas, culturais, religiosas, algumas já interessadas nos serviços. 
 
“Logo iremos investir em divulgação pela internet e o objetivo a médio prazo é ter uma loja fixa para dar vazão aos nossos produtos, com estampas próprias, sempre valorizando mensagens com teor mais crítico relacionado com a cultura e a luta por moradia”.
 
Outra atividade que está sendo preparada ainda para o primeiro semestre é a estreia de um cineclube, que pretende atuar promovendo exibição de filmes e debates nas ocupações e espaços educativos, fomentando o debate sobre direito à moradia e à cidade. É uma estratégia que ajuda tanto na formação das pessoas em déficit de moradia como a expansão do tema para outros setores sociais que possam se interessar no assunto.
 
O coletivo estuda ainda a implementação de uma horta urbana comunitária que permita gerar alimentos e renda para as famílias, além de reabilitar espaços degradados na cidade. Lucas esclarece que estes dois últimos serão projetos abertos à gestão coletiva das comunidades dos bairros aconteçam. 
 
“Esperamos que essas ações também ajudem a população a ter uma noção real do que uma ocupação representa. Às vezes pensam que as pessoas que estão ali não tem preocupação nem respeito com o entorno, mas é justamente o contrário. A ideia é que as pessoas possam se integrar e contribuir com a comunidade, colaborando com trabalho e renda, cultura e também cuidado de espaços antes abandonados que haviam virado problema para os bairros”.

Leia Também

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem

.

Crônica de uma eleição

Vagões do trem do governador Paulo Hartung estão acima da capacidade da locomotiva. Haja peso para carregar...

OPINIÃO
Editorial
Futuro interrompido
Onde estão os promotores, delegados, políticos e demais agentes públicos para berrarem em defesa da infância? Mortes no Heimaba são alarmantes e inadmissíveis!
JR Mignone
Nova rádio
Tudo modificado, tudo moderno na Rádio Globo
Roberto Junquilho
Para onde ir?
A crítica vazia e sem fundamento à classe política coloca em risco a democracia
BLOGS
Mensagem na Garrafa

Wanda Sily

Arrogância também conta?
MAIS LIDAS

Flic-ES: 'As livrarias não vendem obras capixabas'

'Pensar a educação como a preparação do corpo para sentir, aprender e sonhar'

Vitória já poderia ter identificado as fontes de emissão de pó preto

Webdoc Corpo Flor reflete sobre negritude e sexualidade