Seculo

 

O velho e o novo


28/02/2018 às 19:05
O discurso que o governador Paulo Hartung pronunciou como novo nesta quarta-feira (28) na Assembleia Legislativa, como parte de sua prestação de contas do exercício de 2017, na prática, tem a marca de coisa velha já repetida ene vezes. 
O governador formulou críticas a administrações que o precederam, leia-se Renato Casagrande (PSB), colou frases de efeito, e disse que o Estado está pronto para decolar.
O tom do pronunciamento repercutiu no mercado político como sinal claro de que ele tentará a reeleição em 2018, o que é reforçado com a implosão de suas tentativas de emplacar um lugar em uma chapa presidencial, considerando os rumos dos movimentos políticos no cenário nacional. 
Embora o governador mantenha estreito contato com o grupo do banqueiro Armínio Fraga, um dos estimuladores do neoliberalismo no Brasil, a chapa sob sua inspiração com o apresentador Luciano Huck gorou e, com isso, seu lugar de vice foi para o espaço.   
Hartung usou muito em seu discurso o novo e até citou a filósofa alemã Hanna Arendt, cujo conceito do novo está ligado à natalidade, ao individualismo de cada ser, com ampla  liberdade de buscar a chance de se reinventar.  
O tom de seus discursos, embora traga a mensagem do novo, na prática é repetitivo e não apresenta novidades em diversas áreas de sua gestão, com ênfase na segurança, educação e falta de investimentos.
Desde a posse do seu terceiro mandato, em 2015, Hartung não se cansa de bater na tecla da herança maldita deixada pelo ex-governador Renato Casagrande, causa da maioria dos problemas atuais, que seu governo vem, penosamente, superando. 
Para ele, o Espírito Santo, sob sua batuta, é um oásis no deserto representado pelo Brasil em crise, decorrente de  “políticas equivocadas”, principalmente o marco regulador de petróleo, modificado pelo governo de Michel Temer, que facilitou a compra por empesas estrangeiras de parte do pré-sal, a preços módicos. 
Hartung anunciou que conversa com a Shell, uma das empresas agraciadas com essas concessões, a fim de trazer investimentos para o Espírito Santo.
O discurso não se harmoniza com as galerias da Assembleia lacradas, deixando por terra o conceito da também filósofa Rosa Luxemburgo de que as pessoas devem ser humanamente diferentes e completamente livres para se manifestar . 
Não houve manifestações. O povo estava ausente, como na velha política dos coronéis. 

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