Seculo

 

Capixaba faz campanha nacional para instituto de cães-guia


07/03/2018 às 13:35
A estudante de Direito Marcela Pandolfi, de 19 anos, é moradora de Aracruz, no norte do Espírito Santo, e autora de uma campanha na internet para arrecadação de fundos para o Instituto Íris, em São Paulo, um dos poucos do país que realiza doações de cães-guia para deficientes visuais, e onde a fila de espera tem atualmente três mil pessoas.

Marcela é deficiente visual total e sonha em conseguir um cão-guia. Um sonho, segundo ela define na página da campanha, “de liberdade e inclusão”. A “vakinha eletrônica” está no ar desde o início de janeiro, com o nome “Suas patas abrem caminhos”. Já subiu a meta para R$ 20 mil, tendo alcançado quase dois terços, com ajuda de mais de 160 pessoas.

A intenção é conseguir R$ 40 mil, um pouco mais do que o custo que o Instituto tem para trazer um único cão-guia dos Estados Unidos: R$ 35 mil. O valor é relativo aos custos de treinamento do cão durante cerca de dois anos. “Esse dinheiro vai ajudar a fila a andar mais”, argumenta a estudante.

O Instituto Íris é uma das poucas ONGs do Brasil a fazer esse trabalho. Há os Institutos Federais também, como o Ifes de Alegre, mas que não podem receber doações de pessoas físicas. E neles, segundo Marcela, as doações de cães-guias acontecem num ritmo ainda mais lento que nas entidades.

Em todas elas, no entanto, sejam governamentais ou não-governamentais, não é possível comprar um cão-guia, apenas se cadastrar e aguardar a doação. E a fila não segue uma ordem de chegada, mas sim de necessidade do deficiente e compatibilidade com os cães disponíveis.

A pessoa já tem que ter uma certa independência, conseguir se locomover bem com bengala, para poder se cadastrar nas instituições. “A bengala nos dá noção geográfica. O cão é os nossos olhos, mas quem pensa é a gente, quem dá os comandos pra ele, então tem que ter boa noção do espaço”, explica Marcela.

Os guias caninos são um auxílio importantíssimo pros deficientes visuais que já se locomovem com bengalas. Há buracos no chão e obstáculos aéreos, por exemplo, que só os cães conseguem perceber a tempo de evitar um acidente.

No vídeo que fez para a campanha, Marcela detalha melhor essa situações e conta toda a sua história, desde a infância, quando começou a perder a visão em função de um um tipo de câncer chamado retinoblastoma, diagnosticado quando ela tinha um ano e oito meses.

Assistir ao vídeo e vê-la caminhando com desenvoltura pelas ruas, nos faz lembrar o quanto os passeios públicos e vias de nossas cidades são inapropriadas para o ser humano em geral, especialmente as pessoas com deficiência e idosos.

“As calçadas são muito esburacadas, com muitas árvores, muitos obstáculos. E as pessoas ainda deixam bicicletas e lixeiras nos lugares errados”, observa a estudante, que já escolheu a acessibilidade como seu tema de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) da faculdade. “A legislação existe, mas nada é colocado em prática”, afirma.

A campanha “Suas patas abrem caminhos” está no ar e as doações podem ser feitas em qualquer valor. 

Leia Também

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem

.

'Tem boi na linha'

Metendo-se no meio da disputa caseira entre Hartung e Casagrande, Rose de Freitas tem realmente alguma chance?

OPINIÃO
Editorial
As novas roupagens da censura
Os resquícios da ditadura militar ainda assombram a liberdade de expressão no País, estendendo seus tentáculos para o trabalho da imprensa
Eliza Bartolozzi Ferreira
Cada qual no seu lugar
As escolas fazem ciência; as igrejas doutrinação. Projeto Escola Sem Partido é, no mínimo, uma contradição de base do vereador de Vitória, Davi Esmael (PSB)
Erfen Santos
Sugestão Netflix – um filme necessário
Indicado ao Oscar, Strong Island supera a maioria dos documentários, por mesclar a experiência familiar com a crítica social
JR Mignone
A batalha
Não sei se posso dizer, mas ainda hoje me sinto um pouco frustrado com a nossa profissão. Sério!
Roberto Junquilho
Renovar o quê?
Os ''novos'' na política mantêm velhos conceitos e se agarram em grandes corporações empresariais
Bruno Toledo
Estado sem PIEDADE!
As tragédias que se sucedem no Morro da Piedade sintetizam as contradições mais evidentes e brutais do modelo de sociedade e de Estado que estamos mergulhados
BLOGS
Mensagem na Garrafa

Wanda Sily

Entre a salada e o vinho
MAIS LIDAS

Produtor rural teme uma tragédia na região da Barragem do Rio Jucu

Sicoob em Cariacica é processado por falta de acessibilidade

As novas roupagens da censura

Ufes sedia seminário do Dia Internacional contra a Tortura