Seculo

 

Ecalogia – o fingimento ambiental que dá nojo


09/03/2018 às 14:23
Cada vez mais a sociedade global vivencia a era da sustentabilidade ecológica. No entanto, por mais que estejamos acostumados com esse termo em nosso cotidiano, o verdadeiro compromisso prático e o próprio uso teórico da legítima sustentabilidade encontram-se tão distantes da realidade, que macroanálises lúcidas da situação ambiental apontam para conjecturas de sustentabilidade falaciosas. 
 
Surpreendentemente, apesar dos resultados sustentáveis serem de difícil visualização cronológica em cenários globais, o poder de penetração do contexto sustentável foi avassalador. Hoje, o assunto chega até a encabeçar metas de ensino das principais universidades de “business” do mundo em pautas como: “desafio de buscar sustentabilidade”ou “como tornar uma empresa sustentável” – o que, por sua vez, evidencia o contraste com sua “prima” legitimamente ecológica, a incipiente “educação ambiental” nas escolas.
 
O fato é que, a menos que a procedência seja chinesa, os negócios vivenciam uma grande necessidade de serem vistos como ecologicamente sustentáveis. 
 
Então, de um lado temos a necessidade de um selo verde ecologicamente sustentável e, do outro lado, os complexos níveis de arbitrariedade intrínsecos à frágil teia ecológica beneficiada por supostas práticas sustentáveis, ou seja, essa combinação cria fragilidade na legitimação do “selo sustentável”. Isso representou a junção da fome com a vontade de comer; bem mais que suficiente para desgastar o termo “ecologicamente sustentável”, tanto que hoje utiliza-se apenas a abreviação ECO. 
 
Em nosso Estado, os exemplos da falta de compromisso com essa bandeira são diversos, indo desde o maior crime ambiental do Brasil (derramamento de lama tóxica no Rio Doce) ao mais antigo (supressão de vegetação de Mata Atlântica). E pelo meio do caminho, tem de tudo: o conhecido pó de minério de ferro; a famosa BR 101 capixaba, administrada pela ECO 101, que s quer respalda a ecologia viária dos trechos das reservas florestais; e até falsidade na participação social em conselhos ambientais. A negligência ambiental é tão repulsiva que não citarei mais exemplos, a fim de poupá-lo, estimado leitor.
 
Enfim,o uso indevido de conotações ecológicas para satisfazer a sustentabilidade contemporânea (que na verdade é uma pseudo-sustentabilidade) é uma barbárie, pois abre portas para que a indefesa natureza continue sendo violentada. 
 
Diante da ineficiência dos selos verdes em qualificar ações ecologicamente sustentáveis, segue aqui a proposta de dois vocábulos para identificar as falácias da sustentabilidade ecológica: 
 
Ecalogia/'ɛ.ka.lo.gi.a/
 
Substantivo composto proveniente da combinação de “eca” + “ecologia”.
 
1. relativo ao uso da conotação ecológica (beneficio das relações entre os seres vivos ente si ou com o meio ambiente) para mascarar a prática do descaso ambiental.
2. prática de falácia ambiental causadora de repugnância, mal-estar, aversão, nojo.
 
Ecalógico (a)/'ɛ.ka.’lo.gi.ko/
 
adjetivo 
 
1. relativo à ecalogia. 
2. relativo à falsa proteção do meio ambiente.
3. que finge proteger, beneficiar ou não prejudicar o ambiente.
4. que simula ser ecologicamente sustentável.

Leia Também

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem

.

Até tu?

A situação está tão difícil, que PH almejou fazer uma dobradinha com os senadores Magno Malta e Ricardo Ferraço

OPINIÃO
Editorial
Quem paga a conta senta na cabeceira?
O financiamento pela Arcelor de uma pesquisa da Ufes de R$ 2 milhões acende o alerta sobre a autonomia universitária e a transparência nos acordos entre academia e capital privado
Piero Ruschi
Visita à coleção zoológica de Augusto Ruschi
Visitei a coleção zoológica criada por meu pai e seu túmulo na Estação Biológica. Por um lado, bom, por outro, angústia
JR Mignone
Uma análise
Algumas emissoras, aquelas que detêm alguma ou boa audiência, dedicam-se pouco à situação do país
Geraldo Hasse
Refém do Mercado
O País está preso ao neoliberalismo do tucano Pedro Parente, presidente da BR
Roberto Junquilho
A montagem da cena
Em baixa junto aos prefeitos da Grande Vitória, Hartung dispara para o interior do Estado
BLOGS
Mensagem na Garrafa

Wanda Sily

Arrogância também conta?
MAIS LIDAS

Candidatura de Lula à Presidência será lançada neste domingo em Vitória e Serra

Servidores do Ibama e ICMBio no Estado protestam contra loteamento político do órgão

Quem paga a conta senta na cabeceira?

Projeto da nova sede do IPAJM é 'reavaliado' por Instituto de Obras do Estado

A montagem da cena