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Mais acidentes mancham de sangue BR 101 não duplicada no Estado


09/03/2018 às 15:03
Nesta semana, dois acidentes colocaram a BR-101 no centro das atenções dos capixabas novamente. Num deles, uma pedra simplesmente caiu no meio da rodovia, na altura da cidade de Ibiraçu, norte do Estado. Noutro, o empresário de Linhares Marinaldo Souza, de 49 anos, perdeu a vida ao colidir de frente com um caminhão carregado com lajotas no quilômetro 222, na mesma cidade. 
Os dois casos ocorreram em trechos da rodovia que já deveriam estar duplicados, de acordo com o contrato de concessão assinado com o Estado. Além de ainda não terem cumprido as cláusulas contratuais, empresários que assumiram a BR 101 reunidos na ECO 101, que tem a frente o consórcio EcoRodovias Concessões e Serviços S.A. (ECS), não têm sequer previsão de quando as obras serão realizadas. Ou seja, as mortes devem continuar. 
Já foi denunciado que o grupo não cumpriu a obrigação de duplicar vários trechos onde o tráfego é superintenso e foge da responsabilidade criminal pelas mortes em acidentes. Além disso, o consórcio EcoRodovias quer alterar o contrato, fazendo maquiagens, para se livrar de suas responsabilidades. Atualmente duplica apenas pequenos trechos
Em janeiro deste ano, deixaram a concessionária o consórcio capixaba Centaurus Participações S/A, que detinham 27,50% das ações, e ainda o consórcio gaúcho  Grant Concessões, que tinha  4,5% das ações. As empresas eram de seis grupos empresarias: Coimex, Águia Branca, A. Madeira, Urbesa/Arariboia, Tervap, Contek.
Caso a duplicação da pista nos dois sentidos tivesse ocorrido, muitos acidentes poderiam ter sido evitados. Acidentes com veículos batendo frontalmente, por exemplo, poderiam ser reduzidos se houvesse saída possível para o condutor.
Bancada capixaba
Enquanto acidentes com mortes estão sendo registrados, sucessivamente, na BR-101 em trechos não duplicados, os congressistas capixabas parecem mais preocupados em discutir o reajuste do pedágio. O tema também é importante, mas os congressistas deveriam cobrar, com contundência e prioritariamente, a obrigatoriedade que o Consórcio possui de duplicar a rodovia o quanto antes para estancar as mortes que vem ocorrendo com frequência. 
Na última terça-feira (6), a Comissão de Fiscalização Externa da BR 101, coordenada pelo deputado federal Marcus Vicente (PP), decidiu requerer ao Tribunal de Contas da União (TCU) a suspensão da revisão tarifária de maio, referente ao aniversário da concessão. 
Isso porque, inicialmente, a concessionária havia pactuado o valor de R$ 390.146.598,86 para manutenção da pista. Mas reajustou o valor para R$ 1.326.428.668,62, com base na tabela do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).  
Estrada manchada de sangue 
Enquanto empresários fogem às responsabilidades na administração da rodovia, a PRF aponta 187 mortos em 2017 nas rodovias federais do Estado.  No ranking nacional, o Espírito Santo ocupou o 11º lugar com mais acidentes. Boa parte dos acidentes nas rodovias do Espírito Santo foi na BR 101. 
Dos acidentes de 2017, muitos foram extremamente graves. Um deles matou 23 pessoas no dia 22 de julho, envolvendo um caminhão e um ônibus de passageiro. Outro, no dia 10 de agosto, em Mimoso do Sul, matou 11 pessoas e feriu nove. Dois caminhões, um carro e um micro-ônibus, que transportava membros do grupo de dança Bergfreunde, colidiram.  

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