Seculo

 

Magno Malta processa padre de Boa Esperança por calúnia, injúria e difamação


10/03/2018 às 18:16
“Não vou me calar”, disse o padre Romário Hastenreitter, de Boa Esperança, noroeste do Estado, intimado a prestar depoimento no próximo dia 20, no Fórum da cidade, no processo movido contra ele pelo senador Magno Malta (PR) por calúnia, injúria e difamação.
O padre criticou a atuação dos três senadores capixaba - além de Magno, Ricardo Ferraço (PSDB) e a senadora Rose de Freitas (MDB) -, durante  homilia lida na igreja, quando foi votada a reforma Trabalhista no Congresso Nacional, em 2017, que “causa prejuízos aos trabalhadores, da mesma forma que a reforma da Previdência, que, felizmente, não foi adiante”.
Apesar de a crítica ser aos três senadores, somente Magno Malta resolveu processar o padre, a partir da movimentação do presidente da Câmara de Vereadores, Marcus Pereira dos Santos (PSDB), e do assessor jurídico Samuel Verly, que gravaram um dos seus pronunciamentos. 
“Se ele mandar representante, não vou à audiência. Só irei se puder olhar cara a cara para dizer o que penso”, afirmou o padre Romário.
O padre Romário disse a Século Diário que na “questão da reforma trabalhista e também na reforma previdenciária, que não foi adiante, os três senadores atuaram como traidores da democracia, contra o povo”.
“Fico bravo quando vejo políticos que foram eleitos para representar o povo e lutam por seus interesses”, afirmou o padre Romário.
A audiência, marcada para as 10h30m no Fórum local, pelo juiz Charles Henrique Evangelhista, já está movimentando a cidade, sendo esperada uma manifestação popular em favor do padre, que tem muita credibilidade no município. 
O processo movido pelo senador está sendo visto em Boa Esperança como um verdadeiro tiro no pé, principalmente porque 2018 é ano eleitoral, e considerando que o padre Romário é muito querido no município. 
A homilia em que o padre formulou críticas aos senadores ganhou repercussão a partir da gravação de um áudio pelo presidente da Cãmara e o assessor jurídico Samuel Verly. Os dois levaram a gravação ao bispo de São Mateus, Paulo Dalbo, que pediu explicações ao padre Romário e o avisou sobre o risco de processo que seria movido pelo senador Magno Malta. 
“Não tenho nada a esconder, fiz críticas públicas, sim, a traidores da democracia”, afirmou padre Romário. 

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