Seculo

 

Ufes se soma à luta pela reabertura das escolas fechadas pelo governo Hartung


11/03/2018 às 10:04
O Centro de Educação da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), no campus de Goiabeiras, em Vitória, se somou à luta de estudantes, familiares, professores, movimentos sociais do campo e da cidade e parlamentares, em favor do ensino público no Estado.

Em nota de repúdio assinada por sua diretora, Cláudia Maria Mendes Gontijo, o Centro de Educação “manifesta veemente discordância com a política de fechamento de escolas, turnos e turmas orquestrada pela Secretaria de Estado da Educação do Espírito Santo (Sedu)”.

O manifesto recupera dados desde 2016, quando foi denunciado pela sociedade civil organizada e pelo Ministério Público Estadual (MPES) o fechamento de pelo menos 13 escolas, 100 turnos e 500 turmas, sob o argumento da racionalização de recursos.

Em razão do impacto social da medida e da arbitrariedade e ilegalidade dessa ação sem a ciência e anuência prévia de todos os envolvidos, diz a nota, no dia quatro de fevereiro do mesmo ano, o MPES determinou as pré-matrículas e matrículas em todas as escolas, turnos e turmas retiradas. E, no dia dez de março, foi o Tribunal de Justiça do Estado (TJES) quem exigiu a reabertura imediata das escolas.

De lá para cá e até o momento, conforme dados apresentados na audiência pública realizada na Assembleia Legislativa no último dia 21 de fevereiro, são 41 escolas fechadas em 22 municípios. “O fechamento de escolas atingiu a maioria dos municípios capixabas e produziu, no corrente ano, efeitos desastrosos em municípios como Afonso Cláudio, Santa Maria de Jetibá, Muniz Freire e Mimoso do Sul”, acentua o documento, destacando ainda a ausência dos representantes da Sedu e do do governo do Estado, mesmo tendo sido convidados.

A Nota de Repúdio lista ainda oito pontos que devem ser reconhecidos pelo governo estadual, por meio da Sedu, considerando as dificuldades ocasionadas para as famílias, para os estudantes e para a sociedade capixaba que financiam as escolas públicas.

Primeiro, a educação como direito, portanto, investimento essencial e prioritário para toda a sociedade capixaba – urbana e campesina. 
 
Segundo, o principio constitucional da gestão democrática e a necessidade de diálogo com  técnicos, professores, gestores públicos, pais e pesquisadores com especialização, atuação e comprometimento com políticas públicas em educação e com os sistemas públicos de ensino.

Terceiro, a imprescindibilidade da oferta educacional diversificada e ampla de modo a evitar quaisquer formas de exclusão promovidas pelo fechamento de escolas, turmas e turnos que atinge, fortemente, a Educação de Jovens e Adultos.

Quarto, a importância de aproximação da Sedu da sociedade civil, abrindo canais de participação ampla com os movimentos sociais, com o Fórum Estadual de Educação e com o Fórum Estadual Permanente de Apoio à Formação dos Profissionais da Educação Básica.

Quinto, a Pedagogia da Alternância – modelo pedagógico legitimado e respeitado em diversas partes do mundo e empregado nas Escolas-Famílias e em várias escolas de assentamentos de Reforma Agrária no Espírito Santo – como um direito dos estudantes campesinos, seus familiares e sua comunidade.

Sexto, a necessidade de os recursos da educação serem aplicados somente no desenvolvimento e manutenção do ensino e na valorização do magistério.

Sétimo, a educação como serviço público essencial que contribui para a construção de caminhos de inclusão.

Oitavo, a educação em todas as suas dimensões (éticas, políticas, pedagógicas, sociais, antropológicas, curriculares, históricas, filosóficas etc.), e não meramente em seus aspectos econômico-financeiros.

Por fim, reforça o Centro de Educação, “salientamos a necessidade de abertura das escolas que foram fechadas de maneira arbitrária, portanto, à revelia dos anseios e necessidades das comunidades”.

Leia Também

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem

.

Até tu?

A situação está tão difícil, que PH almejou fazer uma dobradinha com os senadores Magno Malta e Ricardo Ferraço

OPINIÃO
Editorial
Quem paga a conta senta na cabeceira?
O financiamento pela Arcelor de uma pesquisa da Ufes de R$ 2 milhões acende o alerta sobre a autonomia universitária e a transparência nos acordos entre academia e capital privado
JR Mignone
Uma análise
Algumas emissoras, aquelas que detêm alguma ou boa audiência, dedicam-se pouco à situação do país
Roberto Junquilho
A montagem da cena
Em baixa junto aos prefeitos da Grande Vitória, Hartung dispara para o interior do Estado
BLOGS
Mensagem na Garrafa

Wanda Sily

A festa do chá
MAIS LIDAS

Advogados questionam gestão de Homero Mafra à frente da OAB no Estado

Sem ração devido à greve de caminhoneiros, avicultores doam 100 mil frangos e 360 mil ovos em Vitória

O livro

Justiça questiona legalidade da contratação de comissionados para gestão de obras milionária

Campeonato de Lançamento de Guimbas ironiza tolerância com a poluição do ar