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Camaroeiros de Vitória reivindicam reconhecimento como atingidos pelo crime da Samarco/Vale-BHP


13/03/2018 às 13:38

Foto: Vitor Taveira

A manhã desta terça-feira (13) começou com manifestações. O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e pescadores da Praia do Suá, em Vitória, realizaram um ato ocupando os trilhos de trem da Vale na altura de Carapina, na Serra. Cerca de cem pessoas, incluindo afetados de Colatina, Aracruz e São Mateus realizaram o bloqueio da via por mais de três horas.

Heider Boza, dirigente do MAB, explicou que o movimento destaca diversas pautas relacionadas como o crime da Samarco, empresa controlada pela Vale e BHP. “Defendemos que os pescadores camaroeiros de todo litoral capixaba que pescam na foz do Rio Doce sejam reconhecidos como atingidos, pois não conseguem mais pescar pela contaminação e proibição da pesca”.

Pescador camaroneiro há 35 anos na Praia do Suá, Brás Clarindo explicou que a maior parte da pesca de camarão dos barcos de arrasto de Vitória acontecia na foz do Rio Doce. “Vitória é o dormitório das embarcações, nossa área de pesca vai de Aracruz a Conceição da Barra, mas o berço maior da captura do camarão sete barbas é justamente a foz do Rio Doce, onde está proibida a pesca”, contou.

Na pauta apresentada pelo MAB, também está o reconhecimento como atingidos dos surfistas de Regência e da Foz do Rio Doce, que movimentavam o turismo e a economia na região, dos consumidores da água contaminada do Rio Doce por meio do Canal Caboclo Bernardo, construído pela Aracruz Celulose (Fibria) em Vila e Barra do Riacho, Aracruz, e das comunidades do Rio Piraquê-Açu, também em Aracruz. Além disso, se propõe o autorreconhecimento de todos os atingidos, mediante novo cadastro e respeito às particularidades de cada povo e território. Também se faz necessária a garantia de água potável para as comunidades afetadas.

O direito a uma indenização justa é outro tema, que envolve a anistia de impostos federais sobre a indenização, a rediscussão de valores e a revogação imediata da Cláusula de Quitação Geral que todos são obrigados a assinar para receber indenização, assumindo o compromisso de não entrar mais na Justiça contra a empresa. “E se ocorrer outra tragédia? E se descobrirem que o dano é maior do que o que havia sido negociado?”, questiona Heider.

Além disso, a contratação de assessorias técnicas independentes escolhidas pelos atingidos para avaliar os impactos e direitos, e a construção de uma governança em que os atingidos tenham participação. O MAB exige que sejam abertas rodadas de negociação em todos os municípios, mediadas pelo Ministério Público Federal, em que estejam presentes a Defensoria Pública e os presidentes da Vale, BHP, Comitê Interfederativo (CIF) e Fundação Renova. “Estamos cansados de conversar com quem não manda em nada nas empresas, fazemos isso há dois anos. Queremos a presença de quem realmente toma as decisões”, afirma o dirigente do MAB.

Diante da paralisação, os manifestantes foram recebidos pela Gerência de Relações com a Comunidade da Vale, sob acompanhamento da Polícia Militar. Após negociação, foi acordada uma reunião nesta quinta-feira (15) em Linhares entre representantes dos atingidos de todas as comunidades com representantes da Fundação Renova e do Comitê Interfederativo.

Ainda durante o ato, os pescadores da Praia do Suá entregaram uma doação de peixes para moradores de uma ocupação de localizada à beira das linhas de trem em Carapina.

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