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Hartung fecha cerco para neutralizar adversários e provoca reações


20/03/2018 às 16:10
O mercado político reagiu de imediato às medidas adotadas pelo governador Paulo Hartung com o objetivo de neutralizar adversários e fortalecer aliados em articulações visando a formação de chapas para as eleições deste ano e, em consequência, sua reeleição ao governo.
 
Os movimentos do governador foram articulados pelos presidentes do MDB, deputado federal Lelo Coimbra, e do PSDB, o vice-governador Césasr Colnago, de forma isolada, que formalizaram uma coligação para escolha de candidatos às eleições de 2018, conforme divulgado nessa segunda-feira (19).
 
“Não faço parte desse processo”, disse o deputado Marcelo Santos (MDB), seguindo o mesmo tom dos deputados Sergio Majeskli (PSDB), Euclério Sampaio (PDT) e Enivaldo dos Anjos (PSD), que fizeram pronunciamentos na sessão desta terça-feira (20) na Assembleia Legislativa.

Marcelo e Enivaldo criticaram o anúncio de aliança fechada entre os dois partidos, apontando como candidatos ao Senado o deputado estadual Amaro Neto (PRB) e Ricardo Ferraço (PSDB). Isso porque, Amaro é candidato apoiado por 20 deputados que, como eles apontam, conversam sobre as acomodações da disputa, agora atropeladas pelos presidentes regionais do PSDB e MDB.
 
Além da coligação, são os principais pontos de destaque no cenário político atualmente o impedimento da filiação de Max Filho ao Podemos e o estabelecimento de regras a fim de restringir debates na Assembleia Legislativa, todos como visível movimentação do governador Paulo Hartung para assumir o controle do cenário político.
 
Faltando pouco mais de duas semanas para o fim da janela partidária, período em que é permitida a troca de partido sem o risco de perder mandato, aliados de Hartung miram, principalmente, em três adversários com elevado potencial de eleitoral e ampla possibilidade de promover uma oposição pesada ao governo.
 
Os atingidos pelas medidas adotadas são a senadora Rose de Freitas (MDB), o prefeito de Vila Velha, Max Filho, e o deputado estadual Sergio Majeski, ambos de saída do PSDB.
 
Rose foi a primeira a protestar contra a conversa entre os presidentes do MDB, deputado federal Lelo Coimbra, e do PSDB, vice-governador César Colnago, que resultou no fechamento de coligação entre as duas siglas para as eleições 2018.
 
Com essa composição, as pretensões de Rose de concorrer ao governo ficam abaladas, considerando que Hartung deverá disputar a reeleição ou, o mais improvável, indicar outro nome, que, certamente, não será o da senadora.
 
Já o prefeito de Vila Velha, cuja saída do PSDB foi anunciada, tem que enfrentar a brusca resistência do deputado estadual Hudson Leal, que lidera o Podemos no Estado, partido escolhido para viabilizar a disputa ao governo neste ano. Ao contrário de declarações divulgadas no início deste mês, de que o partido acolheria Max Filho, o deputado mudou de ideia e agora afirma que a situação é outra.
 
Na Assembleia, o presidente Erick Musso (MDB), aliado do governo, leu uma extensa nota na sessão de segunda-feira restringindo debates de cunho eleitoreiro. Na realidade, com esse ato, Musso tenta impedir pronunciamentos dirigidos ao governador, especialmente do deputado Sergio Majeski, que exerce uma posição sistemática à atual gestão, e mais recentemente, aos deputados Euclério Sampaio, Freitas (PSB) e Da Vitória (PPS). Sem potencial eleitoral e com baixa receptividade em seu reduto, no município de Aracruz, no norte do Estado, o presidente da Assembleia depende do apoio do governador para conseguir a reeleição.
 
As medidas deixam no cenário político as marcas do governador, principalmente se for levado em conta que todas elas resultarão em favorecimento à sua imagem, a partir do impedimento de críticas, no caso da Assembleia Legislativa, e na neutralização de potenciais adversários.

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