Seculo

 

Partidos partidos


26/03/2018 às 14:14
Saímos do trivial e enveredamos na política. Não só no Espírito Santo, mas em outros estados brasileiros, o PSDB sofre a síndrome do abandono. Por que um partido nascido da dissidência do então MDB, com nomes importantes da política nacional (na época) como José Richa, Fernando Henrique Cardoso, José Serra, Pedro Simon, Mário Covas e outros mais, é usado agora como moeda de troca nesta combalida política brasileira?
 
Aqui no Estado dois nomes de peso da política estadual nasceram no MDB, migraram para o então novo PSDB, e depois voltaram para o MDB: Rose de Freitas e Paulo Hartung. Os dois conhecem bem ambos os partidos e, por isso, fazem uso do que aprenderam nesse vai e vem e tentam aplicar nas eleições de 2018, quase derradeira para eles. É como se fosse uma cartada final.
 
Observem a fidelidade de ambos ao velho partido. Coisa de juventude acadêmica em meio às lutas contra a ditadura, aquele MDB de Tancredo Neves, de Ulisses Guimarães, daquele Brasil que tanto nos orgulhávamos. Tanto Rose quanto Hartung não querem sair do partido, não porque o partido está no poder da nação, um poder dúbio e quase ilegítimo; os dois estão no MDB porque ainda acreditam que ali é uma trincheira de boa luta, de força política, como se invocassem os velhos tempos de juventude combativa.
 
Hoje o PSDB perde nomes como Luiz Paulo Vellozo, Max Filho e Sergio Majesky no ES. É uma estratégia política aplicada com maestria, talvez aprendida nos livros de Golbery do Couto e Silva e Sun Tzu. É uma debandada partidária que nos leva a perguntar, por que não resistiram, não lutaram? O PSDB se enfraquece e o MDB nos parece rachado.
 
A senadora Rose de Freitas se acha credenciada para disputar o governo pelo MDB, o mesmo de Paulo Hartung. Não quis mudar de partido para ter chance, pois como PH, ela acha que o MDB lhe dá força para lutar pelo seu objetivo. Ela é uma mineira que um dia, lá atrás, disse que ainda iria governar o Estado que a adotou como filha política. Em uma disputa entre Rose e PH, este terá que vencer, pois Rose, perdendo, ainda terá mais quatro anos como senadora enquanto ele, perdendo, não terá mais cargo.
 
O senador Ricardo Ferraço é outro que teve passagem pelo PMDB e depois migrou para o PSDB. Sua veia política é a de Theodorico Ferraço, que sempre foi um político disposto a defender seus ideais. Lembram quando ele “peitou” os generais da ditadura quando era deputado federal? Reparem que os estrategistas querem sempre ter Ricardo por perto, como agora, por exemplo. Quando olhamos para Ricardo, nos perguntamos: quando ele irá comandar os destinos do seu Estado?
 
Para finalizar, já que estamos falando de dois partidos, principais protagonistas na disputa deste ano no Estado, não poderíamos deixar de lado outro personagem forte, o senador Magno Malta. Hoje no PR, o sabido baiano, por sua vez, também passou pelo MDB. Talvez ali tenha tido oportunidade de expor e aperfeiçoar sua loquaz maneira de discursar. Magno tem nos evangélicos sua principal força política. Um candidato que não se pode desprezar. E os estrategistas também sabem muito bem disso. Tanto Magno quanto Ricardo são candidatos em potencial, embora os nomes de Majesky e Amaro Neto seduzam boa parte do eleitorado, que tanto clama por renovação.
 
Os demais, bem, os demais são meros expectadores ou pequenos participantes desta eleição. Mas terá novidade até lá.

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