Seculo

 

Reajuste envergonhado


03/04/2018 às 08:03
Foram quatro anos de espera do funcionalismo público. Nesse tempo, insatisfação e também uma série de protestos, incluindo na conta a paralisação da Polícia Militar em fevereiro de 2017, que culminou com o fim trágico de mais de 200 assassinatos no Estado num período de 20 dias. Marca da falta de diálogo do governo Paulo Hartung com as categorias de servidores públicos.
 
Finalmente, na manhã desta segunda-feira (2), meio que de supetão, o governo do Estado resolve convocar uma coletiva de imprensa para um importante anúncio: o tão esperado “reajuste” para todo o funcionalismo estadual, válido para os que estão na ativa e aposentados. 
 
O percentual, no entanto, causou perplexidade, apenas 5%. Índice bem distante da inflação acumulada no período, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPCA), que alcançou 28,6%.

O anúncio foi tão constrangedor que sequer o governador Paulo Hartung o fez pessoalmente: entregou a missão ao secretário da Fazenda, Bruno Funchal, acompanhado de mais um "time" de secretários. Os discursos destacaram a medida como um grande esforço da atual gestão, resultado das "contas equilibradas, ajuste fiscal", aquela história de sempre. Parecia até "pegadinha" do Dia da Mentira, registrado na véspera.
 
A cena toda do governo ignora um fato essecial. O reajuste anual aos servidores não é favor, está garantido pela Constituição Federal, e essa obrigação vem sendo descumprida. Tal omissão fez com entidades representativas acionassem até a Justiça. O governador Paulo Hartung responde, por esse motivo, a processo no Supremo Tribunal Federal (STF).
 
A negação desse direito aos servidores coloca o Espírito Santo está entre os piores do País quando o assunto é perda salarial acumulada. O que são 5% para reparar essa dívida?

Vários sindicatos e o deputado estadual Sergio Mageski não pouparam críticas ao tal “reajuste”. As entidades consideraram que tal anúncio não passou de eleitoreiro, anunciado a alguns meses do pleito. Assim como, outro dia, depois de muito negar,  Hartung anunciou o reajuste do auxílio-alimentação de R$ 220,00 para R$ 300,00, uma defasagem ainda de 65% pelo acumulado nos últimos quatro anos.
 
O comportamento atual do governo comprovam que a estratégia era apertar os cintos nos três primeiros anos de mandato, num forte arrocho, para soltar as rédeas em ao eleitoral, surgindo como um “salvador da pátria” do funcionalismo e também do povo do interior do Estado, para onde tem liberado uma série de recursos para pavimentação de estradas e construção de barragens. Mas, pelo visto, os capixabas já estão "vacinados".

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