Seculo

 

As boas ações


04/04/2018 às 15:42
A seis meses das eleições de outubro, as estratégias eleitorais começam a se desenhar mais claramente, antes mesmo das acomodações partidárias que se encerram neste sábado (7), com o fechamento da janela partidária, período permitido pela Justiça para a troca de partido a quem tem mandato. 
Com o controle da máquina pública, o governo usa de suas prerrogativas e abre o cofre, depois de três anos lacrado por conta do arrocho fiscal gerador de sofrimento às famílias, principalmente dos servidores públicos, com destaque para os professores da rede pública.  
A gestão pública assume outras matizes e se veste com a indumentária de ações marqueteiras, necessárias e indispensáveis em ano eleitoral como 2018. 
Primeiro passo, reajuste salarial para os 90 mil funcionários públicos estaduais, movimento que é seguido pelos outros poderes, a fim de adoçar a boca dos insatisfeitos. 
Sem esquecer, é claro, de reajustar os já polpudos vencimentos de quem assina e aprova os projetos e, aí, com índices maiores. No caso do governador, secretários e outros do mesmo quilate, o reajuste vem por meio de emenda ao projeto apresentado pela Mesa Diretora da Assembleia Legislativa. 
É evidente que não é sensato criticar o reajuste salarial do funcionalismo, por menor que seja, uma vez que o arrocho fiscal deixou-os com as finanças em situação precária. 
No entanto, como entender que os índices apresentados sejam tão acanhados, se guardadas as proporções dos discursos otimistas de gestores públicos do setor?
O anunciado milagre da recuperação da economia estadual, em decorrência do bom trato para com as finanças do Estado, deixa transparecer que tudo não passa de bem articuladas estratégias visando cair nas boas graças da população. 
Se de fato houvesse ocorrido o anunciado milagre, o aumento deveria pelo menos ser próximo às perdas salariais contabilizadas desde 2014, período em que não houve recomposição salarial. 
Segundo cálculos oficiais, as perdas acumuladas ultrapassam 23%, considerando que os reajustes anteriores são sempre menores do que os índices da inflação, o que fere a Constituição Federal. 
Analisando sob essa ótica, essas ações representam muito pouco de favorecimento aos trabalhadores, com prejuízos a toda a economia, uma vez que reduz o poder de compra das famílias, respingando no comércio, serviços e no consumo de um modo geral. 
Como é ano de eleições, as boas ações são sempre bem-vindas, mas, na prática, representam muito pouco para quem sofreu durante os últimos três anos o arrocho da falta de dinheiro.

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