Seculo

 

O poder e o voto


05/04/2018 às 18:37

A três dias do término do período em que é permitida a troca de partido para quem tem mandato, crescem os movimentos para ganhar o apoio de puxadores de votos, presidentes de partidos políticos e, principalmente, de quem tem o controle da máquina pública.

Essas articulações provocam uma espécie de peregrinação de políticos sem chances de obter uma boa votação e, consequentemente, se eleger ao cargo almejado. Esse extenso bloco na classe política é formado por anônimas e também conhecidas lideranças, estreantes e tarimbadas.

Nesse contexto, partidos são inflados, outros, esvaziados e, no cenário capixaba, há exemplos que merecem ser citados, a fim de demonstrar que a classe política funciona dento de círculos formados por interesses individuais ou de grupos dissociados, na realidade, de conquistas e avanços na sociedade. O que vale é manter o poder.

Nesta semana, a filiação do PRB do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Erick Musso, é uma clara demonstração de que os partidos políticos, segundo a legislação brasileira, não atendem às mínimas exigências para existirem.

Criado para ser uma extensão política de uma corporação empresarial religiosa, o PRB se transformou no Espírito Santo um núcleo de poder do governador Paulo Hartung, em que são colocadas lideranças sem densidade eleitoral ou em curva descendente, no caso do secretário de Desenvolvimento Urbano, Rodney Miranda.

Exceção do deputado estadual Amaro Neto, puxador de votos colocado no partido para fortalecer a legenda, abrindo possibilidade de vitória nas eleições deste ano. Questões partidárias ficam à parte e a ética ideológica nem entra na conversa, até mesmo porque elas não existem, segundo essa visão.

Nesse mesmo movimento, Hartung esvazia seu partido, o MDB, orquestrando posicionamentos do presidente da sigla no Estado, deputado federal Lelo Coimbra, que perde o presidente de um poder, a Assembleia Legislativa, sem dar um pio. O chefe é que manda e a ele só cabe obedecer.

Os tentáculos do poder são extensos e alcançam o cenário, de modo a eliminar adversários e inflar os favorecidos do poder. Então, não foi assim que o deputado Hudson Leal voltou atrás e fechou a porta do Podemos ao prefeito de Vila Velha, Max Filho, fazendo-o desistir da disputa ao governo do Estado?

São distorções cujo debate é necessário e urgente, a fim de que a política desempenhe o papel que lhe cabe na sociedade, barrando movimentos totalmente voltados para interesses pessoais.

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