Seculo

 

O xadrez de Rose


08/04/2018 às 14:00
A astúcia é a marca dos grandes jogadores de xadrez, um jogo de estratégias complexas que exigem do praticante, antes de tudo, conhecer bem o campo onde o oponente está atuando. No jogo político, também é assim que as cosias funcionam.
Nesse sábado (7), a senadora Rose de Freitas deu uma demonstração de que sabe construir como poucos as estratégias políticas, deixando o cenário eleitoral no Espírito Santo um tanto atordoado com a inesperada filiação ao Podemos e, mais ainda, sua saída do MDB. 
A mexida no tabuleiro, com os movimentos de Rose, agora pré-candidata declarada ao governo do Estado nas eleições de outubro próximo, deixa aturdido o ex-governador Renato Casagrande (PSB), que também disputará o governo, e, ainda mais, o governador Paulo Hartung (MDB). 
Rose começou a jogada na sexta-feira (6), véspera do prazo final para troca de partido permitido pela Justiça, quando anunciou que permaneceria no MDB, onde enfrentaria Hartung na convenção partidária entre julho e agosto, para escolha do candidato ao governo.
Para Hartung, não poderia haver melhor notícia, levando em conta que ele tem o controle dos 200 delegados do MDB no Estado, presidido pelo deputado federal Lelo Coimbra, seu aliado. Um quadro favorável, que levaria qualquer um se acomodar.
No sábado, ao apagar das luzes do fechamento da janela partidária, a verdade vem à tona: Rose sai do MDB e vai para o Podemos, do presidenciável Álvaro  Dias, senador pelo Paraná, representado no Estado por lideranças com densidade eleitoral junto às prefeituras, principal reduto da senadora. 
Resultado: não dá mais para Hartung reagir, articulando para impedir a filiação de Rose para o Podemos, como ocorreu com o prefeito de Vila Velha, Max Filho (PSDB) e, também, delimitar território dentro do seu próprio partido, o MDB, com nomes que possam pelo menos tentar barrar o avanço da oponente.
Sem nomes para articular uma reação, Hartung se valeu do ex-secretário de Segurança Pública, André Garcia, que já havia anunciado que se filiaria ao PSDB para a disputa eleitoral, voltou atrás, e foi para o MDB, a pedido do governador.  Pode ser candidato a qualquer cargo, como parte da estratégia contrária aos movimentos de Rose.
O fato é que as eleições, com os movimentos de Rose, partem para uma polarização entre ela e Hartung que, mesmo com o controle da máquina pública, encontra fortes resistências no campo político, o que poderá levá-lo a optar por outro cargo, no caso o Senado. E aí, ele poderá lançar outro nome ao governo, qualquer um que seja, desde que tenha garantido a sua eleição.  
Rose sai na frente, provocando impacto pesado, principalmente por seu trânsito junto às prefeituras do interior, triturando a pré-candidatura do ex-governador Renato Casagrande e deixando Hartung sem fôlego para se recompor.

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