Seculo

 

Hora de desconstruir


09/04/2018 às 13:38
“Não adianta lamentar a morte da bezerra”, diz a sabedoria popular, para ensinar que em situações de crise o melhor é seguir em frente e tentar minimizar o estrago, colocando em prática outro conceito milenar chinês segundo o qual todo fato possui três versões.
É exatamente isso o que faz o presidente estadual MDB, deputado federal Lelo Coimbra, ao tentar explicar - ou deixar de fazê-lo - a perda de quatro deputados da bancada na Assembleia Legislativa, incluindo o presidente e o vice, e a apressada filiação ao partido do ex-secretário de Segurança, André Garcia.
A versão de que o MDB sai fortalecido, como foi divulgado por ele, se encaixa nos ensinamentos da sabedoria popular, e, mais do que isso, forma um contexto amplo visando à desconstrução dos fatos para, em seu lugar, colocar versões apropriadas que escondam posições favoráveis de eventuais adversários e a terra arrasada que ficou para trás. 
Apesar das versões de Lelo, não há como negar que a debandada da maioria da bancada na Assembleia Legislativa, reduzindo-a de sete para três deputados, é um golpe forte, ainda mais se levado em consideração que entre os insatisfeitos estão o presidente e o vice, os deputados Erick Musso (PRB) e Marcelo Santos (PDT). 
Trocando em miúdos: o MDB definha sob a influência do governador Paulo Hartung, levando em conta que o presidente Lelo Coimbra se movimenta segundo o ordenamento do Palácio Anchieta.  Não sem motivo, o mesmo ocorre com o PSDB, presidido pelo vice-governado César Colnago, também aliado de Hartung, que amarga a perda de importantes quadros.
Nos movimentos visando desconstruir os fatos, o bloco do governo usa os meios de que dispõe, com fartura, para atingir a pré-candidatura da senadora Rose de Freitas ao governo, com a informação de que, a se filiar ao Podemos, ela teria provocado o esvaziamento do partido de quadros para dar sustentação à sua campanha.
As articulações de bastidores demonstram que a pré-candidatura de Rose ao governo, com sua saída do MDB no apagar das luzes da janela partidária, desarticulou o alinhamento do governo, como mostra o vai-e-vem do ex-secretário André Garcia, que não sabia para onde o levavam. Restou para ele o MDB
Isso deixa claro que os movimentos de Rose foram precisos e, por isso, abrem campo favorável para um enfrentamento a um adversário que, mesmo com todo o controle da máquina pública, já não exibe tanto vigor. 
Nesse enfoque, vale lembrar, não cabe versão que se sustente: o MDB está à míngua, bem como o PSDB, e Hartung perdeu a unanimidade e segue em escala descendente, apesar dos esforços para parecer que tudo vai bem. Esses fatos não deixam lugar para outros argumentos. 

Leia Também

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem

.

SOCIOECONÔMICAS
Secom
'Esquenta'

Com a a abertura das convenções partidárias, nesta sexta-feira, o mercado ganhou maior intensidade com o racha na base de Hartung

OPINIÃO
Editorial
Mais uma porta na cara
O racismo institucional do Palácio Anchieta ficou ainda mais claro com a presença do jornalista Willian Waack, demitido da Rede Globo por comentários racistas
Erfen Santos
O Cidadão Ilustre
O filme suscita reflexões pertinentes sobre prêmios literários como o Nobel, que rejeitou grandes escritores
Geraldo Hasse
Notícias do fundo do poço
Se não ceder às pressões externas, a Petrobras pode voltar a liderar a economia
JR Mignone
A importância das eleições
Cada empresa de comunicação tem de se esmerar nas campanhas, sem partido ou cores políticas
BLOGS
Mensagem na Garrafa

Wanda Sily

Além das lágrimas
MAIS LIDAS

'Esquenta'

Largada embolada

Comando da PM não comparece em audiência de conciliação no Tribunal de Justiça

Projeto que obriga barreiras de proteção na Terceira Ponte tem parecer favorável na Ales

Mistério Público investiga Secretaria de Saúde de Cariacica por irregularidades em prestações de contas