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Desenho eleitoral no Estado aponta para decisão em 2º turno na disputa ao governo


10/04/2018 às 12:10
Findo o período para troca e filiações partidárias permitidas pela Justiça, no último sábado (7), o desenho eleitoral visualizado no Espírito Santo demonstra que a eleição deste ano ao governo do Estado poderá ser decidida em segundo turno. 
 
As configurações partidárias formadas indicam que o governador Paulo Hartung terá pela frente um bloco de oposição que vem sendo erguido por lideranças de peso, entre elas, o prefeito de Vila Velha, Max Filho (PSDB), impedido de entrar na disputa, mas que terá participação efetiva no processo eleitoral.
 
A partir de agora, as articulações giram em torno de apoios aos três candidatos competitivos – Renato Casagrande (PSB), Rose de Freitas (Podemos) e Paulo Hartung (MDB) - ou quem ele indicar -, confirmando o quadro de alianças ainda não totalmente formalizadas entre os blocos políticos.   
 
Com o controle da máquina pública, por estar à frente do governo, Hartung leva vantagem sobre os demais, mesmo com as barreiras que construiu com a política de arrocho fiscal e a ausência de investimentos nos últimos três anos. 
 
Isso não significa, porém, que tenha a vitória garantida. Deve ser levado em conta o desgaste de sua imagem, principalmente entre os servidores públicos, com destaque para a classe do magistério, e da capacidade de aglutinação de forças dos outros candidatos.  
 
Esse contexto ficou amplamente demonstrado nos movimentos do bloco governista, no encerramento do prazo permitido para troca de partido, adotados para neutralizar a senadora Rose de Freitas, que ao trocar o MDB pelo Podemos, demarcou território e formalizou sua candidatura ao governo.  
 
Hartung, avesso que é à fidelidade partidária, trabalhou para esvaziar o MDB e inflar o PRB, onde colocou o deputado estadual e candidato ao Senado, Amaro Neto, bom puxador de votos. Diante do quadro de embate aberto, buscou ampliar sua rede de sustentação, agregando mais uma sigla partidária.
 
Hartung sabe, como político experiente, que do lado contrário, o ex-governador Renato Casagrande e a senadora Rose de Freitas há tempos vêm construindo um bloco de oposição, que ganhou contornos mais claros depois dos conflitos internos no PSDB, presidido pelo vice-governador César Colnago.
 
Desse embate, ocorrido em 2017, resultou a saída do partido do ex-prefeito de Vitória Luiz Paulo Vellozo Lucas (PPS) e, mais recentemente, do deputado estadual Sergio Majeski, no PSB de Casagrande, onde circula, também, o prefeito de Vila Velha Max Filho, ainda no PSDB, com disposição a dar apoio ao ex-governador ou a Rose. 
 
Os movimentos desse bloco registram conversas entre o ex-governador Renato Casagrande, a senadora Rose de Freiras e o prefeito Max Filho, apoiador declarado de Majeski ao Senado, no sentido de seguir juntos até o segundo turno. As alianças incluem ainda o PT e o PCdoB.

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