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Rose nega esvaziamento do Podemos e aponta interesses 'desrespeitosos' de Hartung


11/04/2018 às 12:39
“O posicionamento do senador Romero Jucá [Roraima], do deputado federal Lelo Coimbra e do governador Paulo Hartung alarga o juízo de interesses pessoais, de forma inusitada e desrespeitosa, para impedir meu acesso ao Podemos e tumultuar minha convivência no MDB”. 
 
A afirmativa é da pré-candidata ao governo do Estado nas eleições deste ano, senadora Rose de Freitas, que aponta como estratégia de Hartung, seu principal adversário político, a divulgação de que sua filiação ao Podemos provocou o esvaziamento do partido no Espírito Santo.  Não houve esvaziamento do partido com a minha entrada, muito pelo contrário”, garantiu Rose. 
 
Prova disso, segundo ela, são as inúmeras manifestações de lideranças cujos nomes foram relacionados entre os que deixaram o partido e que continuam lhe apoiando, além de novas lideranças que vêm se agregando. 
 
Rose aponta a mesma forma de pressão para sua saída do MDB, motivada em meio a um embate em nível nacional com o presidente interino no exercício da Presidência, senador Romero Jucá, que articulou com o presidente estadual, Lelo Coimbra, a imposição do nome do governador Paulo Hartung como candidato à reeleição. 
 
“Não trabalho submetida à pressão”, disse Rose, citando a presidente do Supremo Tribunal  Federal (STF), ministra Carmen Lúcia, e completou: “Eles agem de uma forma inusitada, desrespeitosa”.
 
A situação de Rose não estava cômoda no MDB, como ela afirma, em decorrência de pressões da direção estadual, exercida pelo deputado Lelo Coimbra, braço forte de Hartung no partido.
 
A estratégia, a mesma de outras eleições, é esvaziar pré-candidaturas competitivas, a fim de que ele consiga capitalizar maiores dividendos políticos, sem o necessário debate em torno de programas de gestão. 
 
“No Podemos estou mais confortável e pronta para a campanha”, disse Rose, acrescentando que tem dúvidas de que Paulo Hartung tenha o controle dos 200 delegados do MDB que irão escolher o candidato na convenção partidária a ser realizada entre julho e agosto. 
 
Rose já demonstrou estar preparada para o embate contra o governador, que tenta o mais que pode impedir as ações de adversários. Essa disposição para o enfrentamento ocorreu durante a inauguração do Aeroporto de Vitória, dia 29 de março.
 
Passando à frente de Hartung, Rose organizou a festa, que contou com a presença de Michel Temer, ministros e outras autoridades, de tal forma que ele deixou de comparecer, justificando de uma forma inusitada a sua ausência.  
 
“Não sei se ele (Hartung) tem o controle do partido, pois recebo muitas manifestações de delegados e lideranças do MDB, mesmo depois de minha saída. São pessoas ligadas com as quais possuo história”, completou. 
 
No Podemos, por exemplo, Hartung conseguiu impedir a filiação do prefeito de Vila Velha, Max Filho, depois de acertos com o presidente nacional da sigla, senador Álvaro Dias.  
 
No caso de Rose, o governador tentou sem êxito impedir a sua entrada junto à direção nacional, no entanto, conseguiu que o deputado estadual Hudson Leal fosse para o PRB, partido onde ele constrói seu bloco de apoio. 
 
A filiação de Rose ao Podemos ocorreu no final da tarde de sábado (7), fim do prazo permitido para a troca partidária, surpreendendo o mercado político, uma vez que no dia anterior ela divulgara nota afirmando que permaneceria no MDB e disputaria o governo do Estado. 
 
Na mesma ocasião, o deputado Hudson Leal, uma das lideranças do partido, passou para o PRB, sigla que está sendo inflada por Hartung. Rose contesta e diz contar com importantes bases de sustentação de sua campanha.

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