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Sindipol denuncia situação precária da Polícia Civil em Jaguaré


12/04/2018 às 18:13
A morte do professor e ex-secretário de Educação de Jaguaré, Marcos Túlio Pariz, por crime de latrocínio, é um caso extremo que revela a precariedade da segurança pública no município. A avaliação foi feita pelo Sindicato dos Policiais Civis do Espírito Santo (Sindipol/ES) em inspeção sindical realizada nessa terça-feira (10), data da prisão dos quatro envolvidos no crime.

“A delegacia de polícia de Jaguaré é mais uma a sofrer com a falta de efetivo no Estado”, afirma o Sindicato. Em 2017, informa o Sindipol/ES, a unidade policial de Jaguaré registrou um alto número de homicídios, 31, além de cerca de 2.300 ocorrências, e, atualmente, existem 500 inquéritos em tramitação.

Com uma população de 29.642 pessoas, calcula a entidade, Jaguaré conta com um efetivo de apenas quatro policiais civis, ou seja: um policial é responsável por atender as demandas de aproximadamente 7.410 habitantes.

“É lamentável. Em todo Espírito Santo a categoria e a sociedade sofrem com o baixo efetivo. Hoje temos apenas 2.200 policiais civis para atender as demandas de todo Estado. Não está fácil, os profissionais estão se desdobrando, mas se não houver investimentos, a sociedade vai ficar cada vez mais refém da criminalidade”, disse o vice-presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Espírito Santo, Humberto Mileip.

Além da falta de pessoal, a delegacia de Jaguaré não tem sequer uma viatura caracterizada. Os dois veículos disponíveis são descaracterizados, por isso os presos são levados no banco de trás, e a única segurança para os policiais são as algemas. Outro problema evidenciado na inspeção é a falta de materiais de escritório, que chegam sempre com atraso.

“Mesmo com todos os problemas, a categoria luta diariamente para prestar um serviço de qualidade à população”, diz, usando como exemplo o caso do professor Marcos Túlio. “Em conjunto com a Polícia Militar, os profissionais da polícia judiciária do município agiram rápido, e em menos de 24 horas, o crime já estava solucionado". Mas,  aponta o sindicato, devido ao baixo efetivo, a delegacia teve que ser fechada para que as diligências do crime pudessem ser feitas.

O presidente do Sindipol/ES, Jorge Emílio Leal, afirma que o governo tem a obrigação de valorizar os profissionais, porque sem investimentos na segurança, a sociedade ficará cada vez mais insegura. “Nossos policiais, mesmo sem condições de trabalho, sem efetivo, estão se desdobrando para prestar um serviço de qualidade. É inadmissível a situação em que se encontra a segurança pública capixaba. Precisamos de uma política de Estado realmente estruturante. Só assim vamos impedir o aumento do crime, criminalidade e criminoso”, critica.
 

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