Seculo

 

'Rei afogado'


13/04/2018 às 13:02
Nas articulações políticas, como no jogo de xadrez, há posicionamentos adotados, muitas vezes a contragosto, para retardar avanços dos adversários quando o jogador se vê em dificuldade para romper as barreiras colocadas à sua frente. 
A posição denominada “Rei afogado” ocorre quando o Rei encontra-se encurralado em uma posição da qual não consegue sair, embora não seja xeque-mate, porque nenhum lance poderá livrá-lo das tropas contrárias. 
A formação de um bloco de oposição ao governador Paulo Hartung (MDB), por analogia, o colocam bem próximo a uma situação parecida com essa posição do jogo de xadrez. 
O avanço de forças contrárias articuladas nos últimos três anos ergueu um cenário em que o governador não encontra mais um campo propício para se autodenominar como “salvador da pátria”, o “cara”,  no ditado popular, como ocorreu em algumas ocasiões em que ele apareceu como única alternativa capaz de administrar o Estado.
Ele insiste em manter essa imagem, como muito bem comprovam os discursos com o tom heróico, ao modo do teatro grego a exaltar os deuses do Olimpo, observados, invariavelmente, em suas aparições públicas:  forma quadros, antevê o futuro, formata o Estado para um novo e alto patamar de desenvolvimento, um oásis nesse Brasil a caminho do fundo do poço, assim Hartung fala.
Joga bem, sabe manejar as pedras e avança com seus peões como no xadrez, casa a casa no tabuleiro político. Inicialmente, ele apresentou cinco, todos potenciais candidatos ao governo nas eleições deste ano. 
O primeiro é o vice-governador César Colnago, depois vem o senador Ricardo Ferraço, ambos do PSDB, o ex-secretário de Segurança André Garcia (MDB), o presidente da Assembleia Legislativa, Erick Musso (PRB), e, por último, o deputado federal Sérgio Vidigal (PDT).
A definição sobre o escolhido, segundo ele afirmou em entrevista à imprensa, e para que a analogia com de xadrez seja mais precisa, vale lembrar que no jogo os peões são sete, portanto, faltam dois. São eles o prefeito da Serra, Audifax Barcelos (Rede), e o próprio Hartung, se estiver disposto a encarar uma disputa à reeleição.
A decisão para a reeleição, no entanto, só ocorrerá se houver desfalque no campo adversário, com a desistência de um dos dois oponentes, o ex-governador Renato Casagrande (PSB) e a senadora Rose de Freitas (Podemos), difícil de acontecer, mas não totalmente impossível, porque em política, como no xadrez, tudo é possível, ainda mais que no campo político as regras não são tão rígidas como no tabuleiro.  
Na realidade, o cenário  demonstra que Hartung usa sua infantaria visando abrir barreiras, desviar o foco e tentar mudar a situação. Para tanto, recorre até mesmo a nomes como do ex-secretário André Garcia, que nunca foi testado nas urnas, é desprovido de histórico político, além de desgastado com a greve da Polícia Militar e os índices da violência no Estado.  
Ao retardar a definição e apresentar nomes de possíveis candidatos, Hartung monta uma estratégia de defesa, para não cair como o  “Rei afogado” do xadrez, diante de uma oposição que se fortalece a cada jogada. 
Desse modo, para evitar uma possível derrota, caso prevaleça o avanço da oposição, o governador prepara o tabuleiro para colocar um peão, que não pode retroceder, pois perdeu a capacidade locomotora. Tem que avançar, nem que seja para ser sacrificado. 
Quanto rei, escapa e toma seu assento.

Leia Também

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem

.

SOCIOECONÔMICAS
Secom
'Esquenta'

Com a a abertura das convenções partidárias, nesta sexta-feira, o mercado ganhou maior intensidade com o racha na base de Hartung

OPINIÃO
Editorial
Mais uma porta na cara
O racismo institucional do Palácio Anchieta ficou ainda mais claro com a presença do jornalista Willian Waack, demitido da Rede Globo por comentários racistas
Erfen Santos
O Cidadão Ilustre
O filme suscita reflexões pertinentes sobre prêmios literários como o Nobel, que rejeitou grandes escritores
Geraldo Hasse
Notícias do fundo do poço
Se não ceder às pressões externas, a Petrobras pode voltar a liderar a economia
JR Mignone
A importância das eleições
Cada empresa de comunicação tem de se esmerar nas campanhas, sem partido ou cores políticas
BLOGS
Mensagem na Garrafa

Wanda Sily

Além das lágrimas
MAIS LIDAS

'Esquenta'

Largada embolada

Comando da PM não comparece em audiência de conciliação no Tribunal de Justiça

Projeto que obriga barreiras de proteção na Terceira Ponte tem parecer favorável na Ales

Mistério Público investiga Secretaria de Saúde de Cariacica por irregularidades em prestações de contas