Seculo

 

Tempos fraturados


14/04/2018 às 11:45
A candidatura ao governo do Estado da senadora Rose de Freitas (Podemos) criou a convicção no meio político de que a eleição vai para o segundo turno, quebrando o cenário armado de uma disputa entre o governador Paulo Hartung e o ex-governador Renato Casagrande (PSB).
 
Segundo turno é sempre uma incógnita, e esse negócio de incógnita, não é para PH. Ele gosta de jogo jogado só por ele. Então, montou um quadro em que pode ser candidato ao governo ou não. Para a segunda hipótese, listou cinco nomes como prováveis candidatos, com destaque para o secretário de Segurança Pública, André Garcia (MDB).
 
Por que André Garcia? Acho que pelo fato dele não ter a nódoa de ser político, já que, hoje, está difícil ser. Situação diferente dos demais – o vice César Colnago (PSDB), os deputados estaduais Amaro Neto e Erick Musso, ambos do PRB, e o deputado federal Sérgio Vidigal (PDT).
 
Além disso, Garcia sempre viveu no noticiário diário, dando dribles de que a atuação dele à frente da pasta fez cair a criminalidade no Espírito Santo. 
 
PH ameaça, sentado na cadeira de governador, ser ele o candidato ou um dos listados. Como sempre, diz que resolverá depois. No caso de ter de sustentar a própria candidatura, a barra vai pesar. Seus movimentos nessa condição tendem a atrair tiroteios de Casagrande e Rose, embora o histórico da Rose com PH é de sempre apanhar e não bater. 
 
Aliás, essa relação sempre me leva a achar que a senadora pode fraquejar na hora H, e jogar por terra toda essa possibilidade de entrar em uma disputa que represente realmente uma ameaça à continuidade de PH no poder. 
 
Caso Rose não fraqueje, não será surpresa Hartung preferir lançar alguém como candidato em seu lugar, pois o que gostaria, mesmo, é de disputar uma eleição contra Casagrande. Eles se conhecem. São águas da mesma pipa. Sem contratempos, portanto. 
 
Logicamente, com o aparelho de governo na mão, PH teria ampla possibilidade de abater Casagrande. Mas, desta vez, esbarrando em um complicador para o seu grupo, que é a candidatura do deputado estadual Sergio Majeski, agora no PSB de Casagrande, para disputar o Senado. 
 
Interessante é que quando PH faz a lista de candidatos, depois, ainda inclui o prefeito da Serra, Audifax Barcelos, da Rede. Sem propósito. A Rede está totalmente fora do espectro de coligações de PH. Por que dar visibilidade à Rede e seu candidato? PH quer afundar ainda mais o seu partido? 
 
Lembrando que o governador já tirou do MDB a presidência da Assembleia, privilegiando com seu apoio o deputado Erick Musso, filiado no partido que virou abrigo dos aliados de PH.
 
O que representa isso? Nem eu tenho hipóteses para explicar a atitude de alguém que vai contra seu próprio partido. 
 
São coisas exclusivas do modus operandi de PH.

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