Seculo

 

Chuva atinge UTI neonatal do Hospital Infantil de Vila Velha


16/04/2018 às 13:41
Os alagamentos e transtornos que a chuva causou na manhã desta segunda-feira (16) em pontos da Grande Vitória são também, em parte, agravados pela negligência do poder público. Mas não foram apenas as vias públicas que foram afetadas. Trabalhadores da UTI Neonatal do Hospital Infantil de Vila Velha (Heimaba) tiveram que espalhar baldes nos corredores e em cima dos móveis para evitar que o local ficasse alagado. Placas indicando que o piso estava molhado também precisaram ser utilizadas. As informação e imagens fora repassadas pelo Sindicato dos Servidores da Saúde no Estado (Sindsaúde-ES).
 
“Foi uma tragédia anunciada. Faz tempo que temos alertado a direção do hospital e também a própria Secretaria de Estado da Saúde sobre a necessidade de manutenção do hospital e, principalmente, da UTI Neonatal. Já denunciados mofo nas paredes, o que pode até ter causado infecção por fungos em prematuros. Nada foi feito. E o resultado? Está chovendo dentro da UTI Neonatal. Até quando a sociedade vai ter que tolerar esse tipo de ocorrência e descaso?", questionou o secretário de Comunicação, Valdecir Gomes Nascimento. 
 
Já a presidente da entidade, Geiza Pinheiro, completou. “Sabemos que há o excesso de chuva, mas é inadmissível chover dentro de um hospital público. É notória a negligência e a falta de investimentos em manutenção. Esta vontade insana em impor a terceirização dos hospitais demonstra que o governador atual quer se livrar da responsabilidade pela saúde pública. As consequências são trágicas”, denunciou.
 
Recentemente, o Heimaba ficou conhecido com mau exemplo de gestão em nível nacional, depois que imagens de leitos improvisados em cadeiras de plástico e crianças e bebês dormindo no chão foram amplamente divulgadas em veículos de imprensa local e nacional. 
 
Mortes
Outro problema grave. Desde a terceirização do Heimaba, o número de mortes aumentou. Relatos de pais, acompanhantes, médicos e outros profissionais de saúde dão conta de que, desde os primeiros meses em que a Organização Social  Instituto de Gestão e Humanização assumiu a gestão do hospital, as mortes estão ocorrendo três vezes mais, comparadas à época que a unidade era gerida pelo Estado. Apenas no período de virada do ano e primeiros dias de janeiro de 2018, há denúncias de que nove bebês prematuros tenham morrido na UTI Neonatal. 
 
O  Sindsaúde-ES resolveu tomar uma medida drástica para ter acesso a informações públicas que estão sendo sonegadas pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa). A entidade ingressou na Justiça para, por meio da Lei de Acesso a Informação, descobrir a quantidade real de óbitos registrada no Heimaba após a terceirização da unidade, ocorrida em setembro no ano passado. 
 
“Essa empresa IGH é problemática, tem processos em outros estados, deve fornecedores, não indeniza seus funcionários, nunca deveria estar no Heimaba. Além disso, contrata trabalhadores por baixos salários e que precisam fazer a função de três ou quatro. Coloca profissionais inexperientes em serviços especializados, como é o caso da UTI Neonatal”, disse a presidenta do Sindsaúde, Geiza Pinheiro, que completou: “A gente quer saber onde o IGH e as outras OSs que estão administrando os hospitais públicos do Estado estão empregando o dinheiro que recebem. O governo manda dinheiro do contrato, manda mais dinheiro por aditivos, a Assembleia manda dinheiro por emenda parlamentares, e não vemos melhora no atendimento”, desabafou Geiza. 

Leia Também

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem

.

SOCIOECONÔMICAS
Cara e crachá

Uns publicaram vídeos e notas nas redes sociais, outros só notas, outros nada. Mas a CPI da Lava Jato continua na conta dos deputados arrependidos

OPINIÃO
Editorial
A Ponte da Discórdia
Terceira Ponte entra novamente no centro dos debates políticos em ano eleitoral. Enquanto isso, a Rodosol continua rindo à toa...
Piero Ruschi
O Governo do ES e seu amor antigo ao desamparo ambiental
Mais um ''Dia Mundial do Meio Ambiente'' se passou. Foi um dia de ''comemoração'' (política)
Bruno Toledo
Estado sem PIEDADE!
As tragédias que se sucedem no Morro da Piedade sintetizam as contradições mais evidentes e brutais do modelo de sociedade e de Estado que estamos mergulhados
Geraldo Hasse
Mundo velho sem catraca
Cinquenta anos depois, é possível fazer um curso técnico por correspondência via internet
Roberto Junquilho
Hartung, o suspense
O governador Paulo Hartung mantém o suspense e pode até não disputar a reeleição em 2018
BLOGS
Mensagem na Garrafa

Wanda Sily

Uma revoada de colibris
MAIS LIDAS

Visita de interlocutores de Hartung a Rodrigo Maia sinaliza mudança de cenário

Juiz Leopoldo mais próximo de ir a Júri Popular por assassinato de Alexandre Martins

Contrato do governo do Estado com a Cetesb sobre poluição do ar continua sigiloso

Hartung, o suspense

LDO será votada na próxima segunda-feira na Assembleia