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Pets: uma questão de responsabilidade socioambiental


18/04/2018 às 15:16
Felizes as pessoas que podem ter um animal de estimação! Companhia, socialização, combate ao estresse e ao sedentarismo, além de tantos outros benefícios para a saúde físico e mental. Tudo isso em troca apenas de alimento e carinho – certamente uma das maiores barganhas da humanidade.
 
Mas em meio a essa simples troca, existem responsabilidades que vão muito além da comida e do amor. Os donos são responsáveis também pela inteiração de seus animais com o meio, a qual deve ser ponderada em virtude da manutenção do equilíbrio ambiental e do controle de doenças na própria vizinhança. 
 
Por outro lado, esses fatores não dependem apenas da dedicação do dono, mas também das características do próprio animal. A escolha da espécie/raça do animal é o principal fator a ser levado em conta. Ela determina tanto o grau de interação do animal com o dono (e vice-versa) como a interação do animal com o meio. 
 
Doméstico x manso
 
Em termos práticos, os pets podem ser divididos em dois grandes grupos: 1) domesticados: animais resultantes de longo processo de seleção de linhagens pelo qual se alcançam significativas mudanças genéticas e comportamentais (ex. cães e gatos). 2) mansos: animais que mantêm seu lado selvagem de forma marcante, incluindo animais silvestres, mesmo que criados em viveiro (ex. papagaios e iguanas), como também aqueles que talvez não sobrevivessem bem na natureza por conta própria (ex. Cracatua). 
 
A domesticação não deve nunca ser confundida com o amansamento. Este último se refere ao condicionamento de animais selvagens para que tolerem a presença humana. Já a domesticação envolve modificações genéticas permanentes que os tornam predispostos (ou mesmo dependentes) da convivência com humanos. São conceitos que distinguem a prática em “viver na companhia de um animal” e “manter um animal prisioneiro, condenando-o a viver com uma pessoa”. 
 
Responsabilidade
 
Como já mencionado, a responsabilidade do dono vai desde o pet ao ambiente ao seu redor, ou seja, da segurança e saúde do animal e da vizinhança com a qual ele interage. Falhas nesse sentido levam ao descuido e abandono dos animais, que por sua vez, geram riscos estendidos à saúde dos humanos (zoonoses), bem como de outros animais pela manutenção de populações andarilhas que dificultam o controle de doenças. 
 
No caso de animais silvestres, seu retorno à natureza pode causar grandes impactos pela introdução de doenças em populações selvagens, bem como pela mistura genética com animais provenientes de localidades distantes, fatores estes que encabeçam riscos de “solturas de animais”, como aquelas realizadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama). 
 
Exemplo dos gatos
 
Representados por uma população mundial entre 200 e 600 milhões de exemplares viventes, os gatos domésticos têm se tornado foco de inúmeros estudos de avaliação de impacto ambiental. Apesar de sua domesticação ter sido iniciada há mais de nove mil anos, eles mantêm um aguçado instinto de caça que é praticado mesmo quando mantidos bem alimentados. 
 
O comportamento independente dos gatos favorece que se tornem ferais, isto é, vivam em estado de fera, mesmo que mantenham uma vida ativa fora de seus lares sob consenso de seus donos (semi-domesticados) ou recebam comida na rua.
 
Já a alta taxa de reprodução dos gatos favorece que as populações ferais se tornem volumosas e superem a capacidade ambiental. 
 
Nas cidades, algumas pessoas os veem como pets livres, enquanto outras como vermes ambulantes, uma vez que propagam zoonoses. Por esse motivo, diversas prefeituras adotam o controle de zoonoses, capturando esses animais e levando para abrigos, ou simplesmente tratando-os, esterelizando-os e soltando nas ruas, a fim de que suas populações se mantenham reduzidas.
 
Os efeitos ambientais das populações ferais de gatos em cidades são um tema controverso principalmente porque esses gatos também predam animais transmissores de doenças (como ratos e pombos), além da fauna nativa adaptada a ambientes urbanos.  
 
Já em ambientes rurais, diversos estudos evidenciam claramente o significativo impacto que populações de gatos exercem sobre a fauna nativa, sobretudo das aves, levando inclusive a extinções locais. Mas o cardápio dos gatos também inclui pequenos mamíferos, peixes, anfíbios, repteis e invertebrados. Estimativas norte americanas somam bilhões de aves mortas por gatos todos os anos, ao passo que na Europa o número alcança dezenas de milhões.  
 
A recomendação em ambientes de rica biodiversidade é que os donos mantenham seus gatos dentro de seus lares, o que pode ser facilitado pela escolha de raças com alta adaptabilidade, que não precisem de muita atividade para serem felizes, que tolerem ficar em casa sozinhos, que sejam sociáveis e pouco territorialidade. Ao contrário do que a maioria das pessoas pensam, essas características fazem parte do biotipo comportamental das raças de gato de pelo curto, como o gato de pelo curto brasileiro, o gato de pelo curto britânico e o gato de bengala.  
 
Felizes os animais de estimação que têm um dono responsável!

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