Seculo

 

INMA se envolve em irregularidades e surpreende – só que não


02/05/2018 às 17:41
Já alertavam os pensadores, desde a Grécia antiga, que apenas podemos esperar mangas de uma mangueira! Eis uma máxima que deve ser relembrada sempre que nos deparamos com o Instituto Nacional da Mata Atlântica – a instituição que alienou todo o patrimônio de utilidade publica capixaba pertencente ao Museu de Biologia Prof. Mello Leitão. 
 
Na semana passada o Sindipúblicos (Sindicato dos Trabalhadores e Servidores Públicos do Estado do ES) trouxe aos olhos dos cidadãos de bem a notícia de mais um episódio lamentável contra as benfeitorias publicas envolvendo o Instituto Nacional da Mata Atlântica. 
 
A matéria tem um forte tom de surpresa, pois revela uma trama peculiarmente sinuosa denunciada pelo próprio Sindipúblicos.
 
Mas nesse caso especifico, precisamos discernir todo o espanto: primeiramente, espanta o fato da referida parceria descumprir as determinações legais. Espanta também o fato de a parceria ter sido firmada sem que houvesse um processo de licitação. E espanta ainda a ausência de parecer jurídico.  
 
Mas absolutamente, incontestavelmente, sem deixar dúvidas ou causar o menor pestanejar, não espanta, em hipótese alguma, o envolvimento do INMA em tamanha inadequação.  
 
Por mais belas e fortes que sejam as orquídeas, beija-flores e brasões dos ornamentos, não existe bandeira que apague a verdade da história: a criação do INMA desonra a primeira instituição de pesquisa do ES e a memória de seu criador, Augusto Ruschi, o patrono da Ecologia do Brasil. O que se seguirá é apenas uma sequência de eventos desonrosos, até o dia em que haja força política suficiente no Estado para desfazer os erros desse passado recente. E essa realidade não deve nos desanimar, pois testemunhamos a investigação de “crimes de caneta” de forma como jamais poderíamos imaginar.  
 
Olhando por essa ótica, também nao deveria nos causar surpresa que o ministro da Ciência e Tecnologia, Gilberto Kassab, tenha concordado em atropelar a legislação e assinar a criação do INMA às custas da alienação do Museu Mello Leitão, afinal, as investigações da Lava Jato começam a chegar em Kassab, que foi recentemente apontado como atuante no licenciamento de licitações para a construtora Queiroz Galvão. 
 
Estaria o político (a) da justiça para nascer? Eu prefiro acreditar que ele (a) já está entre nós, pois desejo às gerações presentes e futuras um compromisso ambiental exponencialmente maior que a capacidade do INMA, nascido no berço da desonra e da imoralidade. 

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