Seculo

 

O tempo não espera


04/05/2018 às 18:11
A dois meses do início da campanha eleitoral propriamente dita, a partir de agosto, as articulações políticas se intensificam a cada dia, neste ano, com profundas alterações na formatação das ações e, de forma especial, na atuação de atores políticos. 
As articulações de bastidores que caracterizam essa fase de pré-campanha é mais apropriada para montar equipes, desenvolver estratégias e arrumar a casa. Como em todo jogo, os primeiros movimentos dos jogadores dão o tom do que será a disputa.
Nos últimos 12 anos, esse compasso de espera foi a marca da campanha. Todos aguardavam a definição do protagonista para começar a disputa. Neste ano, um dos concorrentes ao governo, o ex-governador Renato Casagrande (PSB), saiu na frente e anunciou sua candidatura. 
Depois de mais de quatro anos de preparação, que inclui longas caminhadas pelos quatro cantos do Estado, Casagrande conseguiu costurar robustas alianças junto a lideranças regionais. Com esse posicionamento, o ex-governador reforçou acordos e elaborou novos desenhos no cenário. Dos três colocados na disputa, é o que está melhor articulado, faltando somente a composição do vice. 
Mesmo com a força da máquina pública sob seu controle, Hartung encontra neste ano fortes barreiras oposicionistas, como nunca viu. O quadro para ele ficou mais sombrio com a confirmação da candidatura da senadora Rose de Freitas (Podemos). 
São duas candidaturas competitivas, que levarão o pleito para o segundo turno, com uma votação altamente fragmentada, não apenas entre os três candidatos. 
Deve ser considerado, ainda, o potencial de pequenos partidos, em especial e Psol, que aparece nas pesquisas com quase 3% de aceitação popular. Embora aparentemente não apresente ameaça, o candidato dessa sigla, o advogado André Moreira, pode atingir 10% das intenções de voto.
Não dá para ganhar, mas pode desequilibrar o cenário, com boas perspectivas para o candidato de centro-esquerda, levando em consideração o perfil ideológico do partido. 
Dos três mais competitivos, nenhum se enquadra nesse perfil, com destaque para Hartung, que está perfeitamente inserido nos círculos políticos da  direita neoliberal.
A indefinição de Hartung, como estratégia eleitoral, demonstra que mesmo com o controle da máquina pública, o governador terá que correr muito para continuar na cadeira que ocupa, considerando que o tempo não para. 

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