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Nova fase da Lava Jato cumpre mandado em Vitória


08/05/2018 às 11:22
(Atualizada às 16 horas) Vitória foi citada na 51ª fase da Operação Lava Jato. Deflagrada na manhã desta terça-feira (8), a Capital foi alvo de um mandado de busca e apreensão na “Deja Vu”, como é chamada a nova fase de investigações, que apuram crimes de corrupção e lavagem de dinheiro em um contrato internacional de US$ 825 milhões da Petrobras com a empreiteira Norberto Odebrecht. 
A Capital do Estado entrou na rota desta fase da Lava Jato em função do pedido de prisão preventiva do empresário e ex-executivo da estatal, Mário Ildem de Miranda.
Segundo as investigações, Ildem, que não foi preso por estar fora do País, teria recebido propina na obra da nova sede da Petrobras no Estado, localizada na Avenida Reta da Penha, Praia do Canto. 
A Operação, realizada conjuntamente entre a Polícia Federal, Ministério Publico Federal e Justiça Federal do Paraná (Sérgio Moro, 13ª Vara Federal de Curitiba), bloqueou US$ 7 milhões em nome de Mário Ildem em bancos na Suíça. As estimativas indicam que nos anos de 2011 e 2012, o ex-executivo tenha desviado cerca de U$ 24 milhões. Ele teria utilizado sua influência como servidor antigo da Petrobras, de 1975 a 2003.
A pedido da força-tarefa do Ministério Público Federal no Paraná (MPF/PR), foram cumpridos nesta terça-feira mandados de busca e apreensão, de prisão preventiva e de prisão temporária contra três ex-funcionários da Petrobras, entre eles Ildem, e três operadores financeiros. Um dos operadores se apresentava como intermediário de valores destinados a políticos vinculados ao então Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB).
Há também indícios de favorecimentos para políticos do PT. As investigações apontaram pagamento de propina que se estendeu de 2010 até pelo menos o ano de 2012 e superou o montante de US$ 56,5 milhões, equivalentes atualmente a cerca de R$ 200 milhões. 
O objeto do contrato investigado era a prestação de serviços de reabilitação, construção e montagem, diagnóstico e remediação ambiental, elaboração de estudo, diagnóstico e levantamentos nas áreas de segurança, meio ambiente e saúde (SMS) para a estatal em nove países, além do Brasil.
As provas, segundo dados do Ministério Público Federal (MPF), apontam que o contrato foi direcionado à empreiteira no âmbito interno da Petrobras. Em decorrência desse favorecimento ilícito, no contexto de promessa e efetivo pagamento de vantagem indevida, os elementos probatórios indicam dois núcleos de recebimento: funcionários da estatal e agentes que se apresentavam como intermediários de políticos vinculados ao então PMDB e PT.
Os pagamentos teraim sido realizados mediante a utilização de estratégias de ocultação e dissimulação, contando com a atuação do chamado Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, de operadores financeiros e doleiros especialistas na lavagem de dinheiro. Além do pagamento em espécie, o MPF aponta que foram utilizadas contas mantidas no exterior e que estavam em nome de offshores com sede em paraísos fiscais.

Para os ex-funcionários da Petrobras, há repasses de cerca de US$ 25 milhões, como completa a acusação. Esses valores teriam sido transferidos em bancos estrangeiros de modo escalonado, em diferentes contas no exterior, para dificultar o rastreamento de sua origem e natureza ilícitas.
Os elementos de prova colhidos indicariam ainda que cerca de US$ 31 milhões foram destinados a agentes que se apresentavam como intermediários de políticos vinculados ao então PMDB. O pagamento neste núcleo se deu por meio da utilização de contas mantidas por operadores financeiros no exterior, que se incumbiam de disponibilizar o valor equivalente em moeda nacional, em espécie e no Brasil, ao encarregado pelo recebimento e distribuição do dinheiro aos agentes políticos.

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