Seculo

 

Na tela dos cinemas, 'Todos os Paulos do Mundo'


09/05/2018 às 18:32

O ator Paulo José é um ícone da dramaturgia brasileira. Em sua carreira fez 18 peças, 26 novelas, 50 filmes, 18 séries. Sua imagem é conhecida pela maioria dos cidadãos do país. Nesta semana estreia em 20 cidades e 40 salas de cinema o filme Todos os Paulos do Mundo, um tributo ao mestre, que completou 81 anos em 2018. Em Vitória, a obra entra em cartaz no CineSesc Glória e no Cine Metrópolis.

O que faz do filme bastante particular é que Paulo José foi diagnosticado há mais de 25 anos com Mal de Parkinson e hoje praticamente não consegue mais falar. “A voz dele está bem tímida e sabíamos desde o começo que não podíamos entrevistá-lo para o filme. Então por que não acreditar que o trabalho diz algo por si só?”, conta Rodrigo.

Assim, Todos os Paulos do Mundo usa as próprias cenas de atuação em todas essas décadas de Paulo José para construir a narrativa de sua vida, com apoio do sonoro das entrevistas dele e de seus escritos em primeira pessoa lidos por filhos e artistas próximos como Fernanda Montenegro, Milton Gonçalves, Selton Mello, Matheus Nachtergaele e Mariana Ximenes. “Só alguém com a trajetória como a dele permite um filme desses. Qualquer assunto que se queira tratar da vida íntima dele em alguma momento da carreira ele interpretou isso como ator. O que poderia ser um problema, de não poder entrevistá-lo, acabou sendo a maior força do filme. A história real da pessoa Paulo contada pelos personagens que ele interpretou”, explica o diretor.

Ator e personagens se misturam. “Tentamos contar um pouco da história biográfica através da mentira que ele produziu”, brinca Rodrigo, referindo-se às suas interpretações como ator. A mentira de Paulo José, na verdade, é muito verdadeira. É com sua própria voz que Paulo parafraseia Fernando Pessoa, dizendo que o ator “finge tão completamente que finge até ser dor a dor que deveras sente”.



Sua paixão pelo cinema desde criança, sua decisão de juventude de largar a faculdade de Arquitetura para ser ator, sua dedicação e paixão pela profissão, sua entrega aos personagens. “Eu considero a carreira de ator uma vivência não uma representação.(...) Eu viro personagem quando acordo. Sou incapaz de acabar o dia de filmagem, tirar a barba, descolar a barba e ir pra casa fazer outra coisa. A barba tá colada, eu deixei crescer a barba pra fazer aquele filme. Eu viro personagem, fugindo talvez da minha realidade física, pessoal. E qualquer personagem é mais interessante que uma pessoa”, diz Paulo durante o filme.

Nesse retrato em mosaico construído pelo filme, o espectador viaja por várias das facetas já interpretadas por ele, observando suas transformações, do jovem galã ao sábio senhor, obviamente nenhuma tão brusca como a da emblemática cena de Macunaíma (1969), quando o pequeno negro Grande Otelo se transforma no jovem branco Paulo José, um marco do cinema nacional.

É revivendo cenas de quase 30 filmes, imagens de TV e acervo pessoal de Paulo José que Todos os Paulos do Mundo se desenvolve, rendendo um fabuloso tributo não só ao ator, mas ao cinema do Brasil, incluindo a participação também de tantos atores e atrizes com os quais ele contracenou, que somados comporiam talvez o mais invejável elenco já visto em um filme nacional.

“Ele é a própria encarnação do cinema brasileiro. Talvez como nenhum outro ator na história fez alguns dos filmes emblemáticos de cada década, desde os anos 60 com O Padre e A Moça, até O Palhaço, em 2011. Fez Cinema Novo, Cinema da Retomada, dramas históricos e até paródia de pornô chanchada”, lembra Rodrigo de Oliveira. "Quem estuda cinema brasileiro naturalmente se envolve com a figura do Paulo, pois ele aparece constantemente. Assim comecei a ler um pouco sobre ele e pesquisar mais sobre sua vida".

Em cartaz:

No CineSesc Glória:
Dias 10 , 11, 12, 13, 15 e 16/05, às 18h30
Ingressos: R$ 6 (inteira), R$ 3,60 (conveniados e comerciantes), R$ 3 (meia-entrada e comerciários)

No Cine Metrópolis:
Quinta-feira (10), às 19h
Sexta-feira (11), às 19h30
Sábado (12), às 16h30
Domingo (13), às 16h30
Segunda-feira (14), às 19h
Terça-feira (15), às 19h
Quarta-feira (16), às 17h
Ingressos: R$ 10 (inteira), R$ 5 (meia)
 

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