Seculo

 

Para onde ir?


18/05/2018 às 14:49
Desde 2014, o Brasil atravessa uma das mais nebulosas fases da história, em pesado clima de incertezas, apreensões e medo em todas as áreas, com redução de esperança de dias melhores. Um cenário que envolve, principalmente, a classe política.
Esse é o cenário que antecede as eleições de outubro, marcado pelo distanciamento histórico entre os detentores de poder e quem está na base da pirâmide social e, aí, vale lembrar os que foram escravizados e trazidos para esta terra e submetidos a uma elite canalha e cruel.
Um grupo nunca preocupado em construir um País, mas simplesmente usufruir, com extrema avidez, de privilégios gerados nas cadeias produtivas e na máquina pública, cada vez mais dominadas pelo capital financeiro com sua sede insaciável. E a classe política? 
Essa é a pergunta formulada pelo eleitorado, quando se aproxima o período da campanha eleitoral, de caça ao voto, que colocará nos centros de poder aqueles cujas embalagens caiam na “boca do povo”. Na disputa há lugar para tudo: políticos bem intencionados, charlatães, oportunistas e enganadores, fiel retrato da sociedade. 
Um quadro sombrio, no qual surgem apelos obtusos que povoam as ruas e também invadem as redes sociais e ganham espaços na imprensa: “Só os militares podem consertar o País, nenhum político presta” é a frase que vira uma espécie de mantra das camadas mais atrasadas da sociedade.  
Os defensores dessa ideia certamente colocaram venda nos olhos para não enxergar desatinos históricos cometidos pelos militares a partir de 1964 e o fiasco da intervenção no Rio de Janeiro, bem como em Vitória na greve da Polícia Militar, em fevereiro de 2017.  
A crítica vazia à classe política virou moda, estimulada por meios de comunicação seletivos, mais voltados para tornar o cidadão comum um perfeito imbecil, sem qualquer tipo de participação na vida política. Como boi na manada a obedecer, unicamente, a quem os toca e os leva para onde quiser.
A eleição está às portas e, mais do que em qualquer ocasião, a crítica à classe política é perigosa para a frágil democracia, quando formulada sem embasamento, visando unicamente desacreditá-la. Dessa forma, setores interessados em manter esse status quo, a fim de sequestrar o que resta na sustentação da democracia, ampliam seus dividendos.
A escolha política é sempre uma tarefa difícil, quando são pesados os parâmetros de cada candidato. Mas eles estão aí, e de suas ações é que surgirão os frutos, para o bem ou para o mal, segundo o voto da maioria. 
O ex-governador Renato Casagrande (PSB), o governador Paulo Hartung (MDB), a senadora Rose de Freitas (Podemos) e o advogado André Moreira (Psol) disputam o governo do Estado neste ano. 
Os dois primeiros não apresentam nada de novo, com maior grau de inoperância no atual governador, que se sustenta em ações de marketing a maquiar a dura realidade do Espírito Santo. Rose, ainda não testada no executivo, parece ter sumido do mapa, e André Moreira, do diminuto Psol, não tem chances, mesmo com suas propostas inovadoras. 
Mas eles tão aí, para a escolha do eleitor, assim também os candidatos ao Senado, à Câmara Federal e à Assembleia Legislativa. Esse é o caminho. 

Leia Também

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem

.

SOCIOECONÔMICAS
Cara e crachá

Uns publicaram vídeos e notas nas redes sociais, outros só notas, outros nada. Mas a CPI da Lava Jato continua na conta dos deputados arrependidos

OPINIÃO
Editorial
A Ponte da Discórdia
Terceira Ponte entra novamente no centro dos debates políticos em ano eleitoral. Enquanto isso, a Rodosol continua rindo à toa...
Piero Ruschi
O Governo do ES e seu amor antigo ao desamparo ambiental
Mais um ''Dia Mundial do Meio Ambiente'' se passou. Foi um dia de ''comemoração'' (política)
Gustavo Bastos
Conto surrealista
''virei pasta para entrar mais fácil na pintura de Dalí''
Bruno Toledo
Estado sem PIEDADE!
As tragédias que se sucedem no Morro da Piedade sintetizam as contradições mais evidentes e brutais do modelo de sociedade e de Estado que estamos mergulhados
Geraldo Hasse
Mundo velho sem catraca
Cinquenta anos depois, é possível fazer um curso técnico por correspondência via internet
Roberto Junquilho
Hartung, o suspense
O governador Paulo Hartung mantém o suspense e pode até não disputar a reeleição em 2018
BLOGS
Mensagem na Garrafa

Wanda Sily

Entre a salada e o vinho
MAIS LIDAS

‘Lutava contra um sistema podre e falido com os braços amarrados. Agora estou livre’

Visita de interlocutores de Hartung a Rodrigo Maia sinaliza mudança de cenário

Juiz Leopoldo mais próximo de ir a Júri Popular por assassinato de Alexandre Martins

Hartung, o suspense

Contrato do governo do Estado com a Cetesb sobre poluição do ar continua sigiloso