Seculo

 

Funcionalismo em efusão


29/05/2018 às 11:35
De nada adiantaram algumas manobras do governo do Estado para tentar apaziguar o funcionalismo estadual. Depois de quatro anos de arrocho salarial, fruto do austericismo hartunguiano, dos gastos exorbitantes com publicidade e do caos nos serviços públicos, os 5% de reajuste concedidos recentemente aos servidores estão longe de funcionar como cala-boca em ano de eleição. A tendência, pelo contrário, é de reação em cadeia.

Nos últimos dias, os servidores do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) e do Instituto Estadual do Meio Ambiente (Iema) aprovaram a realização de protestos e até paralisações relâmpagos contra o que consideram descaso da gestão estadual com as categorias. 
 
A insatisfação do funcionalismo estadual está mais forte do que nunca e representa uma crise considerável para o governo contornar à beira do pleito. 
 
Depois de um mês sem que o governo do Estado iniciasse uma negociação com a categoria, os servidores do Incaper, por exemplo, aprovaram uma agenda de atos e manifestações que vão pipocar nos próximos dias. Entre as reivindicações da categoria, que foram negadas pelo Estado, estão: revisão do plano de cargos e salários, concurso público, recomposição das perdas salariais, retomada do programa de pós- graduação, plano de saúde e regulamentação do auxílio-creche. 
 
Igualmente insatisfeitos estão os servidores do Iema, que realizam assembleia nesta terça-feira (29), às 9 horas, convocada pelo sindicato da classe, o Sindipúblicos. Entre os itens de pauta estão realizar um dia de paralisação contra o sucateamento da autarquia.
 
Ainda recentemente, no último dia 23 de maio, dia do solo espírito-santense que conta com desfile cívico em Vila Velha, policiais militares não perderam a oportunidade de protestar. A diretoria do Fundo  de Amparo aos Militares Capixabas, diretores da Associação de Cabos e Soldados (ACS) e militares que respondem a procedimentos administrativos realizaram ato pela anistia dos PM’s. O ato, que reuniu 30 militares e seus familiares, acabou sendo direcionado ao vice-governador César Colnago, uma vez que o governador Paulo Hartung resolveu não participar das comemorações. 
 
Todos esses eventos que estão ainda fervilhando se somam a outras lutas que parecem esquecidas, mas que ficaram registradas negativamente na memória dos servidores estaduais, como a negativa do Estado em pagar o retroativo do auxílio-alimentação, caso que está judicializado com sindicatos recorrendo a tribunais superiores. Também caiu muito mal, os 18% de reajuste para a cúpula do Executivo, para desafogar carreiras já muito bem-remuneradas, como auditores fiscais e oficiais da PM. 
 
Outras categorias, que parecem quietinhas no momento, também não se esqueceram de suas bandeiras. É o caso dos defensores públicos e dos servidores do Tribunal de Justiça, únicos que nem os 5% de reajuste receberam. Segundo representantes da Associação de Defensores, o Projeto de Lei enviado para Assembleia Legislativa é apenas para “inglês ver”. Continua parado sem qualquer perspectiva de ser aprovado. Com apoio dos movimentos sociais, novos protestos e manifestações estão ganhando corpo. 
 
Ao que tudo indica, o período pré-eleitoral será marcado por protestos e manifestações contra o governo estadual, que vai precisar segurar o pepino.  

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