Seculo

 

Estrangulamento da defesa ambiental capixaba


30/05/2018 às 14:08
Talvez a defesa ambiental capixaba não seja inteiramente um boneco pintado com cordinhas amarradas nos pés e mãos, que dança e fala segundo comandos...mas, está quase lá!
Nos tempos de Augusto Ruschi, quando o movimento de defesa ambiental era incipiente e havia muita floresta, poucas pessoas praticavam o exercício de projetar o futuro ambiental regional. Alguns de seus prognósticos incluem o assoreamento do Rio Doce, a desertificação da Região Norte, a importância das reservas ambientais como estoques genéticos de biodiversidade, e a teimosia nociva em construir o complexo industrial minerador ao norte da capital capixaba (onde predomina o vento de nordeste).
Logicamente, todos esses prognósticos nos são óbvios, afinal de contas, descrevem a atualidade que presenciamos. Entretanto, o fato de serem contemporâneos não significa que estejam recebendo a merecida, e efetiva, atenção.
Semelhante ao que ocorre em diversos setores no país, o movimento ambientalista corre atrás de um prejuízo tentando fazer valer a legislação ambiental para o benefício social. Mas essa parece ser uma prova de equipes.
No 1º pelotão correm os interessados em usufruir de projetos sem respaldo ambiental efetivo, amparados pela grande maioria política. No 2º pelotão correm os pseudo-ambientalistas, praticantes da “ecalogia”, que não se importam em ajudar o 1º pelotão em troca de interesses próprios. Lá atrás, no 3º pelotão, correm os verdadeiros defensores do meio ambiente, aqueles que buscam meios efetivos de desenvolver a legislação ambiental, amparados por raríssimos políticos (do tipo agulha no palheiro).
A titulo de contextualização, reparem na síntese de acontecimentos recentes do setor ambiental capixaba:  
- Universidade Federal do Estado (Ufes) se une à ArcelorMittal para desenvolver projeto reprovado por comissão científica que visa monitorar efeitos da poluição do ar sobre a população;
- Cargos do Instituto Brasileiro dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) estão sendo escolhidos por grupos políticos;
- Instituto Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) sofre com tentativas de extinção e luta por autonomia;
- Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Seama) censura participação ambiental em reuniões para favorecimento do setor industrial;
- Industria da celulose continua prática ilegal de pulverização agrícola com aviões no entorno da floresta do Parque de Itaúnas;
- Companhia Vale irá reativar sua usina mais obsoleta, o que agravará ainda mais a poluição do ar em Vitória.
Não é de hoje que nós do 3º pelotão corremos atrás do prejuízo.
Como tudo na vida, trata-se de uma verdadeira corrida com obstáculos. Mas nessa corrida ambiental capixaba, a linha de chegada corresponde, na verdade, a uma miragem que começa a desaparecer, dando forma a um gigantesco buraco. No fundo estará o meio ambiente e nas paredes o 1º pelotão (indústrias/maioria política). Só quem terá acesso é o segundo pelotão (pseudo-ambientalistas) – desprovido de interesse e/ou coragem moral para fazer valer o a verdadeira defesa do meio ambiente.
A sociedade conseguiu, sim, dar grandes passos. Pena que a política tenha dado um passo “maior” e pior: desenvolver um mecanismo de anulação prática das estratégias de proteção ambiental existentes.
“A diferença entre navegar e ser navegado é corrigir a direção da embarcação a cada onda ou rajada de vento”.

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