Seculo

 

Fazer a política


01/06/2018 às 19:52

A nudez dos governantes exposta de forma patética no dia a dia, a descida ladeira abaixo da economia e dos programas sociais, a entrega ao capital financeiro de valiosos ativos nacionais, a submissão da maioria dos parlamentares ao Executivo e a omissão diante de conceitos éticos e morais pintam um quadro assustador.

Esse é um cenário que gera críticas à classe política, em todos os níveis de atuação. De vereador a deputado, governador, ministro, presidente e gestores em geral, todos são submetidos à espinafração, quase sem nenhuma exceção. A gritaria é geral.

Ao olhar a cena política do Estado, como no restante do País, chega-se à conclusão que o quadro tende a permanecer sem alterações, com os mesmos matizes, ou se agravar, depois das eleições de outubro.

Isso porque, os atores são praticamente os mesmos de há décadas, com as propostas superadas, sem programas de gestão pública para ser implantado. Desse modo, os comentários desabonadores tendem a aumentar.

Com Renato Casagrande (PSB) e Rose de Freitas (Podemos), os dois pré-candidatos já declarados ao governo do Estado, e Paulo Hartung (MDB),  atual governador, eventuais alterações na cena política serão inócuas, sem capacidade de garantir à sociedade aquilo que ela necessita. As amarras que unem os três candidatos competitivos impedem que ocorram mudanças que possam reverter o modelo adotado há décadas.

O alarido crítico da população, portanto, encontra justificativas difíceis de serem rebatidas, quando se observa mais atentamente a cena longe dos holofotes midiáticos corporativos, sejam eles empresariais ou religiosos. Sem essa cobertura, a classe política se mostra como ela está: desgastada e desacreditada perante a opinião pública como meio capaz de abrir novos caminhos.

Nesse contexto, o fazer política, na visão da massa sofrida e desinformada, não se faz mais necessário. Como frutos murchos, sem vida, se deixam levar, omissos, sem uma participação ativa, a não ser a crítica vazia, gerada no despreparo, que, muitas vezes, deságua no acolhimento do autoritarismo como tábua de salvação.

Não agem assim os que pedem intervenção militar ou aqueles que já decidiram não votar nas eleições de outubro? Uma perspectiva sombria se forma, e cresce com a manutenção de privilégios mediante leis que tornam legal o que é imoral.

Com todas essas mazelas, o fazer política é imprescindível ao fortalecimento da democracia, com a participação cada vez maior de cidadãos, para que o laço do autoritarismo aperte ainda mais, sufocando a todos, sem livrar até mesmo aqueles que desejaram que ele interviesse.

O cenário preocupa, mas ele só pode ser mudado com o voto, que é a hora da escolha.

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