Seculo

 

Foco, só no voto!


06/06/2018 às 14:15
A sessão da Assembleia Legislativa desta quarta-feira (6) durou escassos 40 minutos, mesmo com uma pauta de votação recheada e com quatro pedidos de regime de urgência, apesar da presença na Casa de deputados em número suficiente para dar prosseguimento aos trabalhos. Um quadro que se repete costumeiramente de forma mais intensa nesse período de pré-campanha eleitoral, em meio a protestos de alguns poucos parlamentares.  
No dia anterior, terça-feira, a pauta apresentava 30 itens, alguns poucos votados de acordo com a conveniência de cada parlamentar ou do nível de pressão exercido por forças externas ao Legislativo. Entre eles, o projeto que proíbe o plantio de eucalipto em áreas de recargas hídricas e nascentes, de autoria do deputado Sergio Majeski (PSB), que foi arquivado justamente quando se comemora o Dia Mundial do Meio Ambiente.
Desde o mês de maio, os trabalhos da Assembleia Legislativa se arrastam morosamente, com exceção de poucos parlamentares. O nível de atuação desse pequeno grupo, porém, não é suficiente para desafogar a pauta, exceção aqueles projetos de interesse do Executivo ou para favorecer áreas com influência na economia do Estado, como a Federação das Indústrias (Findes) e a Federação do Comércio (Fecomércio), entre outras.
Nesse período de pré-campanha eleitoral, o foco dos parlamentares está fixado em articulações políticas que possam garantir dividendos, votos que possibilitem a reeleição. Um quadro desanimador para o público votante, quando observado que pelo menos 50% dos atuais deputados estaduais têm chances de reeleição em outubro deste ano.
Nesse contexto, agora em junho surge mais um componente para agravar o cenário: a Copa do Mundo, que reúne na Rússia a fina flor do futebol internacional, com sua influência paralisante a envolver a maioria das atividades produtivas e o encolhimento da máquina pública em dias de jogos. Aí é que a coisa não vai mesmo funcionar. 
Prova disso está no estímulo dado pelo governo federal ao autorizar alterações em horários de trabalho de servidores públicos, exemplo seguido por outros níveis da administração pública, inclusive instituições ligadas ao Pode Judiciário. 
Um quadro preocupante, cujos personagens que o compõem não levam muito a sério a situação econômica e política do País, interessados, apenas, em projetos pessoais. Essa é uma postura que marca, é bom lembrar, a atividade parlamentar cujos integrantes, em sua maioria, exercem sua atividade com gestos de dar e receber cargos e vantagens e, acima de tudo, manter privilégios. 
O cenário lembra muito o poema "Filosofia", do pernambucano Ascenso Ferreira, morto na década de 70,que diz assim: "Hora de comer — comer!, Hora de dormir — dormir!, Hora de vadiar — vadiar!, Hora de trabalhar? — Pernas pro ar que ninguém é de ferro". 
A Copa está aí mesmo para demonstrar essa dura realidade. 

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