Seculo

 

Aos amigos, tudo! Ao povo, o que sobrar...


08/06/2018 às 14:13
Qualquer governo, além de suas ideologias políticas, deveria trabalhar em prol do bem comum: levar melhorias aos cidadãos em todas as áreas, sobretudo as essenciais, como saúde, educação, moradia, cultura, geração de emprego e renda e segurança pública; trabalhar para equalizar diferenças sociais, diminuindo o abismo entre ricos e pobres; e zelar pela boa aplicação dos recursos públicos.
 
No Estado, o governo Paulo Hartung alega que fez muito bem o seu “dever de casa” e os milhões gastos em propaganda institucional têm sido utilizados para convencer de que sim. Mas, na prática, o discurso de modernidade gerencial e equilíbrio das contas, vendido como a melhor política a ser adotada para governar o povo capixaba, desmorona diante da realidade factível e que tem afetado a população capixaba a olhos nus. O discurso governamental, propagado por sua propaganda ideológica, não se sustenta diante da realidade local.
 
Os argumentos utilizados para justificar a austeridade fiscal  do “bom gestor”, na verdade, comprometem o acesso dos mais pobres aos serviços públicos gratuitos, mas não o lucro do empresariado. A austeridade proposta não é austeridade daqueles que já consomem mais e melhor, os ricos, mas a austeridade dos trabalhadores e dos cidadãos que dependem de serviços gratuitos. 
 
Foram quatro anos de arrocho para o funcionalismo público, que acabou eclodindo numa paralisação inédita da Polícia Militar, além de diversos outros protestos. Nos últimos quatro anos, dados da Fundação Abrinq revelam que o Espírito Santo tem 366 mil crianças, entre zero e 14 anos, vivendo em famílias que sobrevivem com até meio salário mínimo per/capita por mês. Além disso, proporcionalmente, é o líder no ranking de jovens de 15 a 17 anos fora da escola na região Sudeste, um índice de 16%, que está acima da média nacional. 
 
Neste atual mandato, o governador tem colocado em prática de forma intensa e acelerada um projeto que se destaca pela terceirização de diversos serviços públicos essenciais, notadamente saúde e educação. Em vez de melhorias do serviço, ao contrário, reclamações e mortes, como as dos recém-nascidos do Hospital Infantil de Vila Velha. Enquanto proprietários das organizações Sociais, as OSs, vão expandindo seus negócios no rentável negócio da saúde. Nessa quinta-feira (7), anunciou o nome de Aridelmo Teizeira, um conhecido empresário, à frente da Secretaria de Estado da Educação, onde já estão engatilhados projetos que drenam recursos públicos para entidades educacionais privadas. 
 
Não é de hoje que o governador vem se promovendo como o “salvador da terra arrasada”. Foi assim em seus primeiros mandatos, logo que assumiu o governo após a era José Ignácio Ferreira, quando se postou como o "homem do combate ao crime organizado", e, depois, para tirar do mandato Renato Casagrande (PSB), que assumiu como governo de continuidade, mas deixou de interessar a Hartung e virou o "péssimo gestor que destruiu o Estado". Essa maquiagem, porém, já não faz milagre como antigamente.
 
Apertar o cinto para criar a imagem de um governo com contas em dia e dinheiro em caixa, a custas de quem? Enquanto falta à população mais carente do Estado, o amigo empresariado de sempre se beneficia do dinheiro público. Tudo dominado!

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