Seculo

 

Bom pra quem?


08/06/2018 às 17:06
Já não se trata de mera suposição, o fato existe e comprova que o governo Paulo Hartung tem como marca principal o desenvolvimento de políticas públicas a montar projetos seguindo conceitos do neoliberalismo privatista. A indicação do professor e empresário Aridelmo Teixeira, cofundador da Fucape Business School e presidente da ONG Espírito Santo em Ação, não deixa margem para dúvidas. 
Dentro do modelo estabelecido por corporações transnacionais como fonte alimentadora de um conceito baseado, exclusivamente, no capital financeiro, a gestão pública no Espírito Santo se caracteriza pela elevada representatividade empresarial em suas ações. 
Esse contexto envolve não apenas o Executivo, espalhando-se no Poder Legislativo. E rende louros ao governador Paulo Hartung, por meio de matérias elogiosas em veículos de circulação nacional, elevando-o à categoria de ícone da chamada nova política, que reúne a elite acostumada a privilégios seculares.   
Um cenário em que o Estado é sequestrado em sua função de responsabilidade quanto à questão social, substituída por planos de desenvolvimento setoriais e, também de maior alcance, resultando em uma distorção nas políticas públicas por meio do chamado terceiro setor, uma maquiagem para manter lucrativas parcerias empresariais, substituindo regras e amaciando normas. 
O novo secretário da Educação representa essa marca, traz o selo da privatização que está afixado na organização que preside. O cenário gera receio nos trabalhadores da área, diante da possibilidade de ampliação dos círculos de negócios, com alteração de contratos por meio da antiga cantilena de que é preciso aprofundar reformas e avançar na modernidade.  
É a flexibilização de normas e regras, palavra mágica dos conceitos privatistas, que ignoram a questão social do ponto de vista da classe trabalhadora, agravada com a desinformação e a massificação de mensagens alienadoras, que douram a pílula e fazem o bem parecer mal e o mal, bem. O amargo vira doce, em nome do desenvolvimento e de geração de emprego e renda. 
Dois exemplos podem ser citados nos últimos 30 dias. Na Serra, a Câmara de Vereadores aprovou a toque de caixa projeto da Prefeitura, de inspiração na Federação das Indústrias (Findes), que muda normas relacionadas a meio ambiente para implantação de empresas. No mesmo período, a Assembleia Legislativa arquivou projeto proibindo a extensão de áreas plantadas com eucalipto.
As políticas públicas neoliberais investem na reforma do Estado de forma monocrática, sem levar em conta os impactos na sociedade como um todo, porque seus autores só vêm um lado, o que sempre leva vantagem. Nesse cenário, do outro lado é inevitável a pergunta: bom para quem?

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