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ZYL-9 – Rádio Cachoeiro (O início)


09/06/2018 às 14:25
ZYL-9 – RÁDIO CACHOEIRO – O INÍCIO
 
Em Cachoeiro de Itapemirim, sul do Espírito Santo, morava na mesma rua da Rádio Cachoeiro, até então, a única emissora da cidade e já famosa pelos intermináveis nomes importantes que haviam passado por ela. Roberto Carlos o mais famoso, mas teve Jece Valadão, Carlos Imperial, Sérgio Sampaio, Darlene Gloria e etc. Era o ano de 1964, do Golpe Militar. Comecei minha carreira em meio às lutas de opressores e oprimidos, sendo que, neste último, estava a imprensa da qual eu começa a lidar.
 
Rua 7 de Setembro esquina com a Siqueira Lima, Cachoeiro de Itapemirim. Esse era o endereço da rádio. Apesar de muito jovem, sempre estava lá conversando com os operadores, locutores, afinal, meu tio era o diretor da emissora, Jose Américo Mignone. 
 
No primeiro momento, estava limpando a mesa de som, no outro operando a mesa. O passo seguinte, ajudando na programação musical, no outro produzindo programa. No fim estava fazendo locução, apresentando programas.
 
APRENDIZADO
 
Tive professores importantes, do qual destaco a figura de Ruy Guedes Barbosa, locutor e músico. Lembro que a discoteca era abastada de 78 RPM e de LPS e compactos. Ali aprendi a qualificar músicas e intérpretes. 
 
Ruy era o “cabeça” do famoso conjunto musical 007 e, quando ele se referia ao grupo, a gente percebia nitidamente ele pronunciar “conrrunto” . Isso me marcou.
 
Na parte técnica de operação, profissionais de alto nível que me fizeram aprender de uma vez por todas. Alvino Cabelino, Miguel Souza, Miltinho Santos, Idelmacir Cesareo e Danilo Neves. Lembro da mesa de áudio SuperSom, dos gravadores Wollensac e Grundiing. Eram gigantes e tinha de manipulá-los com destreza.
 
Trabalhava aos domingos nas transmissões das jornadas esportivas como operador e plantão. Só havia um gravador para gravar a partida. Saia os gols e a gente ia marcando com uma tira de papel. No intervalo, o comentarista pedia os gols e a gente já tinha voltado a fita para as marcas, soltando o gol a cada solicitação.
 
Ainda nos esportes, na Resenha L-9, aos domingo, às 19hs, o locutor esportivo Sabra Abdala dava o resultado da corrida de cavalos do Bairro Noventa. Uma vez, Vendo que Miguel, o operador, estava de cabeça baixa fazendo ponta no lápis, o locutor Sabra Abdala, entre uma nota e outra, sussurrava no microfone (no ar) “Miguel”. Este desconfiou do turco Abdala e começou a prestar atenção. Quando Miguel se descuidava, Sabrinha sussurrava de novo, até que uma hora Miguel encostou o ouvido no velho rádio SEMP, foi quando Sabra gritou no microfone: Miguellll. E o susto? Isso tudo no ar, durante o programa.
 
O jornalismo da ZYL-9 tinha sua importância no todo da programação. O músico violinista e advogado Mozart Cerqueira (irmão do Geraldinho Cerqueira, que tem uma academia de ginástica em Vitoria) era o redator do principal noticiário da emissora, o Noticiarista L-9. Cachoeiro inteira ouvia este noticiário de 10 minutos às 11h35. O texto saia de uma velha e eficiente máquina Remington.
 
Os locutores eram José Américo e no final Sérgio Sampaio, este mesmo, o cantor! Tinha um bom timbre de voz e, nessa época, não me lembro nunca de tê-lo visto empunhado um violão na rádio. Sérgio andava com os intelectuais jovens da cidade e uma vez apareceu na rádio impressionado com livro que estava lendo, onde um homem tinha um rato no cérebro. Era um Best Seller de Franz Kafka
 
Não podia deixar de relembrar um programa vespertino dominical, chamado “A Juventude Comanda”. Os apresentadores eram Nelson Pereira e Niltinho. Fazia muito sucesso, tanto que Nelson Pereira foi convidado a ter seu próprio programa na emissora.
 
Quem aparecia por lá e às vezes ocupava microfone era Elyan Pipoico Peçanha. Era inteirado dos sucessos, principalmente da Bossa Nova, e desenvolto no falar. Lembro de uma vez, eu fazendo o programa que tinha aos sábados, e Pipico me acompanhando no estúdio. Tocava Can’t Take My Eyes Off You. Quando eu anunciei frisei o OFF como OF e ele me corrigiu. A pronúncia deveria ser “OV”.
 
Era uma programação que começava todo sábado, às 17 horas. Todo ano mudava de nome. Começou em 1966 e o nome era Rota 66, nome da música que o maestro americano (preferido de Sinatra) Nelson Riddle compôs e lançou em homenagem à famosa rodovia que fica na California, Rota 66. Servia de prefixo de abertura.
 
A rua Sete de Setembro não tinha fim. A rádio ficava no final da rua. Tinha o lavador (de carros) do “seo” Nelson. Tinha também a oficina mecânica dos Romanelis. Turoca era o mecânico. Quando a gente passava, ele gritava lá de dentro, “amanhã vou lá hoje”.
 
A discoteca ficava nos fundos do andar. Naquela época, era lotada de discos de 78 rotações e alguns Long Plays. Estes começavam a aparecer. Nós já não usávamos os 78 rotações. Com os Lps vieram os compactos. A qualidade mudou um pouco para melhor. Mas as propagandas ainda chegavam em 78 rpm. As agulhas pareciam espinhos, daqueles grandes
 

A seguir, no capitulo três – “Ainda a rádio Cachoeiro”.

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